É o que dizem.
Primeiro de tudo a gente chega no mundo e se acostuma com o ritmo daqui. Você não opina se o fluxo é certo ou errado, você apenas segue.
Você aprende a ser bebê, logo já é promovido a criança, mas se acostuma com as novas responsabilidades. Em seguida acontece uma revolução (hormonal) e você é quase um adulto, mas, ao mesmo tempo, está bem longe de ser adulto - você se acostuma a ser adolescente, a estudar pras provas do colégio, a acordar mais cedo e lidar com confrontos emocionais. Aí chega uma hora que o juízo bate na porta e chega de vez. Essa idade varia muito entre os indivíduos.
Cada uma dessas fases tem suas dificuldades, novidades e, principalmente, seus medos.
Comigo, a vida adulta não bateu à porta, ela entrou como um caminhão desgovernado porta adentro (sorte que consegui recebê-la bem). Aí, você, mulher, se acostuma com a idéia de ser mãe, de que a barriga vai crescer e o coração também. Você se acostuma a ficar o dia em casa com o bebê, escabelada, de pijama, esperando o dia passar ao lado do seu pequeninho. Logo (ou nem tanto), você amadurece a idéia de voltar ao trabalho e terceirizar seus cuidados, e você se acostuma assim. Acostuma com a distância, com a culpa, com os malabarismos. Acostuma que eles crescem como se a gente colocasse fermento no arroz com feijão e acostuma com as novas respostas deles.
O fato é que assim, a gente se acostuma e a vida passa. É incrível a plasticidade do ser humano. Acostume-se com a paz interior, com a auto-estima, com a felicidade e o amor que o rodeiam; Mas não deixe que a culpa e o medo caiam na rotina. Mude sempre que necessário, volte, faça de novo, converse, não deixe para depois. Lembre-se sempre que nosso prazo de validade é indeterminado.