terça-feira, 14 de agosto de 2012

Currículo

Posso colocar no meu currículo:
"Mãe de Santiago, 1 ano e 6 meses." ?
Acho que agregaria bastante.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos Pais

    Se hoje escrevo aqui a nossa história com o Santiago é por causa dele. Ele que apoiou essa nossa aventura desde o primeiríssimo instante. Desde a primeira vez que ouvimos o coração do Santiago bater, com 13 semanas de gestação, e enquanto eu ainda estava aturdida com a notícia, ele já escutava com paciência e amor aquele som. E a partir daí, todos os dias ele amou o Santiago. E me achou bonita até com um barrigão prestes a explodir, caminhando igual a uma pata. E eu não teria conseguido segurar a barra toda se não fosse por ele - o Gonçalo.
    Depois do nascimento, ele foi - e é - um pai muito participativo, não só por trocar fraldas, mas por partilhar de todos os momentos do Tatá, desde o banho, levar na escolinha, vestir, pediatra, hora de dormir, etc. Entretanto, mais do que tudo isso, ele foi meu maior incentivador a seguir a faculdade. Me encorajou e assumiu o Santiago naquele tempo em que eu não estava por perto e, novamente, se não fosse por ele não teria dado certo.
    Então, nesse dia dos pais, vai um parabéns especial para esse pai que vestiu a camisa junto comigo e é meu companheiro desde as horas tranquilas até as noites mal dormidas. Sempre digo que fico realizada que toda essa aventura tenha acontecido ao lado dele, e que fomos capazes de construir essa família que temos.
    Antes disso, tenho que parabenizar outra pessoa que também, se não fosse ele, nada teria funcionado. O meu pai. Que até aqui tinha sido um paizão, agora também é um super vovô. Ele que me ensina diariamente como ser honesto, humilde e trabalhador. E, mais, me ensinou a amar o que se faz, tanto que hoje partilhamos a mesma profissão e a dedicação aos animais. Muito obrigada pai.
    Feliz dia dos pais a todos que, além de cuidarem dos filhos, também tem que cuidar e paparicar as mamães. Presentes, ou não, hoje o dia é de vocês!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ansiedade de Separação

    Já faz um ano e ainda dói. Deixei o Santiago na escolinha há 20 minutos e o tempo parece que não passa com esse silêncio em casa.
    Ontem vimos um filme - "Não sei como ela consegue" - sobre uma mãe que trabalha, tem dois filhos e tem que fazer malabarismo entre as duas atividades tão prazerosas pra ela. E, em determinada parte, ela diz que aos 2 anos a ansiedade de separação cede nas crianças, mas nas mães isso não tem fim. Sabe, acho que é verdade. Mesmo sabendo que ele está feliz, sai do meu colo pra ver as brincadeiras dos colegas e matar a saudade das prof's, a minha vontade é puxar uma cadeira e sentar ali na porta, só pra ficar espiando como meu Tatá se vira sem mim. Pois é claro que ele se vira, bobas somos nós mães que achamos que eles não desgrudam da gente.
    Lembro dos primeiros dias na escolinha, com apenas 6 meses, e o quanto foi doída essa separação, mesmo que por poucas horas. Quando a gente descobre que está grávida, sabe que não mais está sozinha e que tem alguém compartilhando seu corpo, seu sangue e sua alma, até o nascimento, quando alguns desses laços se rompem. Alguns, eu disse. Outros nunca mais. É difícil, não só pela separação em si, mas pelo fato de que há 6 meses atrás tinha ocorrido uma união tão forte que parece ilógico ter que desfazê-la em parte. Não sei explicar. O que quero dizer é que quando os filhos nascem, nossa vida é dedicação quase que total à eles; Primeiro a gente se acostuma a tê-los 24 horas por dia junto, atendendo a todas as necessidades deles e abdicando de todo o resto. E, logo ali, 6 meses depois que desacostumamos da nossa vida rotineira, temos que seguir em frente e retomar o dia-a-dia. A sensação é tão estranha que lembro de sair da escolinha e pensar, o que vou fazer agora? Já não sabia mais. É assim mesmo que a gente se sente, desnorteada. 
    E agora, 1 ano depois disso, revivo essa situação. Parece mentira, mas estou aqui escrevendo enquanto espero pra ligar pra lá e saber se ele está bem. Pobre telefone e pobre das secretárias: "Oi, fulana, aqui é a Ana, mãe do Santiago, tudo bem?". Elas devem ter pavor de ouvir minha voz. Eu não me importo.
    Pois então, vou esperar ansiosamente até as 13:30 tentando achar o que fazer dentro da ausência do Santiago à nossa volta. É uma tarefa difícil, mas o reencontro é recompensador. Quer saber, enquanto não retomo a minha dupla jornada, acho que vou aproveitar e exercitar meu coração para não sentir tanto essa ansiedade de separação.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Santiago não quer comer

    O Santiago é uma criança tranquila na maioria das coisas. Exceto alimentação. Até os 5 meses, com aleitamento materno exclusivo, era tudo uma beleza. Engordava vertiginosamente a cada consulta. Depois disso, as dificuldades começaram a aparecer.
    Primeiro o suquinho. E lá ia a mamãe, comprar frutas frescas e preparar um suco super esterilizado na mamadeira mais do que fervida as 8:00am. Santiago sequer provava. Fiquei muito desapontada nesse primeiro teste, mas em seguida vieram as frutas e a situação melhorou um pouco. Até que, com 6 meses, juntamente com o ingresso na escolinha e o rompimento dos primeiros dentes veio a tão esperada papinha.Que decepção!
    Foi um mês de tentativas em vão e sopinhas que iam pro lixo após serem desprezadas pelo Santiago. Não é fácil não. Depois de tanta insistência, consegui que ele comesse uma sopa fria. Ainda tinha a esperança do arroz com feijão - pior ainda. Se ele vê o prato preto de feijão, já era. Porém achei que, como a maioria das coisas, essa inapetência fosse passageira.
    Aí que eu estava enganada. O Santiago está com 1 ano e meio e a coisa parece estar agravando. Somada às viroses, amigdalites, otites, ataques de asma e tudo que é possível, essa inapetência tem me arrancado os cabelos.
    É muito chato a gente se dedicar e fazer uma comidinha boa e ele nem experimentar. Mas o pior é ver isso se repetir por dias e dias. Fico tensa, triste, preocupada, irritada e tudo o que é possível.
    Já recebi diversos conselhos, mas parece que nada funciona com o Santiago. Agora fala a palavra "doce" perto dele. Hã! Até pedra! Sei que é comum, que ele está crescendo corretamente e desenvolvendo no ritmo normal, mas ninguém tira minha agonia.
    Mas amanhã - amanhã mesmo - vou dar um jeito nisso. Nem que eu tenha que arrancar um estimulante de apetite do pediatra. E assim nós vamos: o Santiago nega e eu embolso todos os papás dele!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Encantadora de Bebês x Soluções para Noites sem Choro

          Quando estava grávida minha cunhada e amiga me emprestou um livro muito famoso chamado “A Encantadora de Bebês”, que promete solucionar, de modo racional, todos os problemas e esclarecer as dúvidas sobre recém-nascidos e bebês maiores, como sono, alimentação, comportamento, etc. Então, durante a gravidez, dediquei um tempo ao tal livro e pensei: muito fácil! É só colocar ele na cama acordado, não deixar que ele durma mamando, oferecer 15 vezes o mesmo alimento até ele aceitar, não tirá-lo do berço assim que ele começasse a chorar para que ele não associasse o choro ao colo e tantas outras lições que pareciam ser óbvias naquele momento.

Mas é assim mesmo. Todos somos ótimos pais até que nossos filhos nasçam e derrubem todas essas teorias perfeitas de como criar um filho que dorme sozinho, come de tudo e é independente. Peraí, gente! Eles têm menos de um ano. Eles tinham tudo sem precisar pedir quando estavam na barriga. Eles viviam quentinhos, protegidos, alimentados e, o mais importante, unidos às mães fisicamente e – por que não - emocionalmente.
Assim, quando o Santiago nasceu, anotávamos a hora que ele tinha mamado, quantos cocôs tinha feito e quanto tinha durado a soneca da tarde. É claro que isso durou não mais que dois dias. A exaustão dos primeiros dias sem dormir e o insucesso nas teorias vieram como um balde de água fria no meu projeto de como criar um filho exemplar. Santiago dormia mamando, mamava dormindo, acordava inúmeras vezes pra mamar durante a noite, fazia sonecas longas durante o dia, tinha colo sempre que queria, era embalado pra dormir e todos os mimos que tinha direito. Exatamente o contrário de tudo que o livro ensinava. Confesso que isso me deixou um pouco frustrada; Afinal, é cansativo embalar um nenê que engorda em progressão geométrica, amamentar a toda hora e dormir pouco por tanto tempo.  
Mas essa frustração não durou muito tempo. Já disse anteriormente que sou do tipo de mãe que acredita no instinto. E nosso instinto não é deixar o bebê chorando até dormir no berço, apenas olhando pra ele como conforto. Nosso instinto não é negar que o bebê durma junto com a mãe. Nem negar o peito porque não completou 3 horas de intervalo entre as mamadas. Muito menos deixar de acalmar, aconchegar e transmitir confiança para aquele bichinho tão novo no mundo quanto a nossa carreira materna.
A partir daí, larguei a “Encantadora de Bebês” e suas técnicas infalíveis para seguir a minha diretriz: aprender a ser mãe com meu filho, atendendo às necessidades dele, procurando sempre me tornar um porto seguro, onde ele encontre aconchego e conforto.
Certa vez, encontrei uma página na internet intitulada “Soluções para noites sem choro”, onde pude ver que não estava sozinha nessa, e que muitas outras mamães também seguiam seu instinto e optavam pela proximidade com os filhos, através da cama compartilhada (dormir junto com os bebês, com todas as medidas de segurança, é claro), da amamentação prolongada e tantos outros métodos que são totalmente contra aqueles propostos pela “Encantadora de Bebês”. Senti-me mais amparada e vi que estava fazendo a coisa certa. Até agora não me arrependo de deixar que o Santiago durma junto de vez em quando, de ter feito um desmame gradual e sem traumas, de ter deixado ele dormir mamando por um ano e 4 meses, já que agora ele até pede pra dormir no berço – naturalmente.
Enfim, acredito que a maternidade e tudo que a rodeia deve ocorrer assim: naturalmente. Porque o natural é o aconchego e o amparo, é o abraço e a paciência; o natural é o amor! O amor absoluto que doamos aos nossos filhos e que através dele somos capazes de ensiná-los como ser um filho exemplar – independente e seguro, sempre com a proteção materna por trás, até quando ele quiser e naturalmente vá criando asas pra voar por si próprio.