sábado, 29 de dezembro de 2012

2013

"(...)
Qual o mundo que você precisa exterminar da sua vida? (...)
O mundo obcecado do amor doentio, aquele amor que só persiste pelo medo da solidão, e que de frustração em frustração vai minando sua possibilidade de ser feliz de outro modo.
O mundo das coisas sem importância. Quanta dedicação ao sobrenome do fulano, à conta bancária do sicrano, à vida amorosa da beltrana, o quanto ela pagou, o quanto ele deveu, quem reatou. Por cinco minutos, vá lá. Os neurônios precisam descansar. Mas esse trelelé o dia inteiro, socorro. (...)"

     Retirado do texto "O Fim e o Começo" de Martha Medeiros, na ZH deste domingo.
     Achei esse texto conveniente para começar a -tentar- falar sobre o ano que passou e o que está por vir, pois foram assuntos que dediquei um pouco mais de reflexões.
     Mas esse ano foi duro. Por desafios que aceitei encarar e por outros que não eram nem cogitados e que a roda da vida nos impôs. E esses calam fundo em nossos corações. Perdi dois dos meus avós. A morte nos tira as palavras e é só isso que tenho a dizer.
     A vida de gente grande não é fácil mesmo. Mas essa não é hora de lamentações, é preciso pensar nos esforços recompensados, nos amigos cativados e no amor reafirmado para seguirmos em frente e renovar as nossas esperanças. É preciso lembrar que os únicos responsáveis pelo nosso futuro somos nós mesmos, e que tudo de que precisamos é de fé, de companhia e de força de vontade.
     Voltando ao texto, durante esse ano percebi o quanto as pessoas estão equivocadas quanto ao amor e os valores - em relação à minha percepção, é claro. Tem um texto que rola nesses compartilhamentos e que achei bem verdadeiro, onde diz que é fácil amar na mesa do bar, na noite, etc, difícil é quando a outra pessoa muda ou está em uma situação adversa precisando desse amor. Tive a chance de ser mãe cedo e de assumir um compromisso mais cedo que o normal. E isso me levou a crer que muitos amores são jogados fora pelo fato de que num certo dia a pessoa estava um tanto diferente. Somos humanos, somos imperfeitos. O amor do dia a dia, não é regado a fogos de artifício numa noite estrelada, lamento. Pra mim, o amor é muito mais que isso. É te sentir acompanhada e realizada não no melhor restaurante, frente aos outros, maquiada e de salto alto, e sim, preparando um jantar qualquer, cabelo molhado, pé descalço, na intimidade e cumplicidade de duas pessoas diferentes e que podem se sentir à vontade mesmo assim. Mesmo que o dia (e talvez o semestre) tenha sido cansativo, sabes que o conforto de quem te ama estará disponível no fim da tarde. O amor não é constante e pra ser duradouro é preciso dedicação e flexibilidade.
      Outra coisa tão distorcida é a falta de simplicidade em todos os âmbitos. Falta simplicidade pra pensar, pra resolver problemas, pra levar a vida, pra se vestir, pra falar, pra educar nossos filhos, pra encarar o mundo. E isso está debaixo do nosso nariz...
     Então, que 2013 (apesar desse número ímpar feio no fim) seja leve, simples. Que transborde o amor verdadeiro, simples. Que transborde a paz em nossos lares e mentes, simples assim. Que não nos falte saúde nem fé para colocarmos em prática tudo o que sonhamos e planejamos. Que possamos executar nossos projetos visando a simples plenitude de mais um ano em nossas vidas. E que aqueles que partiram estejam na simplicidade do descanso, zelando por nós.
    "Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo." 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Quer mamãe

    Sempre quis ser a dona de um beijo que curasse dodóis. Melhor, "dadáis", como diz meu pequeno aventureiro. São essas e outras incumbencias que nos fazem sentir no dia a dia o sentido da palavra mãe. Quase dois anos depois de realmente me tornar mãe fui capaz de entender que algumas coisas só podem ser resolvidas pela mamãe. 
     Claro que nos primeiros meses a gente sente isso, especialmente nos primeiros dias, onde existe uma necessidade fisiológica de sono e uma necessidade biológica de amamentar, ninar, cuidar... mas com o tempo isso diminui um pouco e vem em crises. Agora, as vezes sinto necessidade de alguém mais para dar conta de coisas corriqueiras da vida de mãe, como conversar com a escolinha, consultas de rotina, etc e tal, até que contando com a ajuda da minha mãe, além do Gonçalo, vejo que nada feito. Mãe é mãe, né? Infelizmente, o final do semestre não respeita minhas obrigações como mãe - que são sempre prioridade -, e nessas horas não há quem possa socorrer.
     Concomitante a isso, o desenvolvimento da fala do Santiago me brindou, essa semana que passou, com uma nova expressão: "quer mamãe". Meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração de alegria e... culpa. Meu filho aprendeu a expressar que eu realmente faço falta no diazinho dele, e que o que ele quer é... mamãe. Claro, ele não tem nem dois anos, isso é o natural. Ele que nunca foi de muito colo, pede para sentar comigo e ainda para dormir junto a noite. Particularmente, eu adoro. Renova a confiança e a cumplicidade entre nós e eu aproveito para matar a constante saudade que sinto. Cheguei a conclusão, também essa semana, que sou mãe exagerada mesmo e potencializo todos esses sentimentos.
     Enfim, das conclusões dessa semana pré provas finais, o que fica é que ter um beijo que cure dodóis e receber um "cabo dadái" logo após não é tarefa fácil, mas é mais do que compensatória. Felizmente, esses 40 créditos estão chegando ao fim e as coisas voltarão a um ritmo mais leve depois de cinco meses ligados no 220. Mal posso esperar!