Acho que pode-se definir ser mãe antes dos 20 em uma palavra: aventura. Uma aventura doce, cheia de felicidade, mas repleta de responsabilidade. A coisa toda é um processo de amadurecimento, que começa lá dentro da barriga e não termina tão cedo assim. Mas ser mãe cedo tem vários quês a mais, um deles a cara de criança que ainda está estampada na sua face, e não há como fugir.
As pessoas não levam a sério: principalmente as vovós que encontro na rua quando estamos passeando - elas ficam incrédulas, abismadas, apavoradas - e isso é o que transparecem, imagina o que passa dentro da cabeça dessas senhorinhas. Os comentários são muito freqüentes, mas a pior situação foi quando precisamos de uma pediatra plantonista e ela nos tratou como se fossemos completos irresponsáveis e fez eu me sentir muito mal durante todo o atendimento. Foi bem difícil. Mas no geral lido bem com esse tipo de coisa, principalmente pelo fato de que as vezes estou pensando nas coisas a fazer, entre mãe/mulher/estudante/etcetal e quando me olho no espelho fico chocada com a MINHA cara de criança! É verdade, juro. A sensação é que a aparência que vejo não é condizente com tudo aquilo que funciona aqui dentro. Então, caras vovós, vocês estão perdoadas.
Sempre acreditei na simplicidade das coisas, e tive a sorte de encontrar alguém que partilha comigo essa idéia. E com essas nossas caras deslavadas de meros adolescentes, recebemos o Santiago em nossas vidas, e isso foi o melhor que podia nos acontecer. Confiando em nossos instintos, amadurecemos como muitos adultos de 40 anos ainda não amadureceram, e estamos conseguindo sobreviver a essa aventura toda tentando transmitir essa simplicidade de pensar e agir para nosso filho. Mais que sobreviver. Estamos vivendo uma experiência única com um aprendizado sem igual. E isso não se ensina em escola nenhuma.
É uma questão de diminuir as expectativas e exceder os limites - não se sabe o que iremos enfrentar todo dia. Lidar com febres inesperadas, viroses, palavras novas, gostos novos todos os dias nos exige, mas tudo faz parte de um dia a dia prazeroso, já que se ele não puder ir a escolinha, somos felizmente obrigados a passar todo o dia juntos.
Enfim, é como sabiamente disse meu sobrinho Be: "mamãe quero a felicidade". Todos queremos. E nós temos, eu sei. Não importa para o Santiago se quando ele nasceu a mãe era muito jovem (e existe idade pra ser feliz?), ou se não o programamos em nossas vidas (e existe momento certo para ser feliz?), e sim, importa como ele foi recebido por todos nós, principalmente mãe e pai, que agora se dedicam a ele (e existe felicidade sem amor?).
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
Síndrome de Domingo
Isso tem que terminar. Todo domingo é a mesma história: chega o fim de tarde, a angústia da semana que está para começar e o Santiago apronta alguma - febre, dor de garganta ou qualquer outra coisa que potencializam o peso nas minhas costas. É a mesma sensação sempre, de que não serei capaz de vencer os desafios que a minha rotina me impõem, e isso é tão dolorido....
Passar o fim de semana todo juntos, desde os ataques de birra aos carinhos e beijinhos espontâneos, me fortalece muito, e por outro lado me deixa triste, pois segunda tudo volta ao normal e, se é difícil pra mim entender e aceitar essa separação semanal, imaginem pra ele. Talvez eu seja uma mãe exagerada mesmo.
Mas, voltando ao domingo, acho que esse sentimento é global, mas tem se feito tão presente que está despertando meu ódio. No final da segunda tudo volta ao normal, mas a sensação de impotência no final do dia desanima muito. Parece que não vou ter tempo de ir na aula, nem de arranjar uma consulta no pediatra, muito menos de estar disponível no horário que eu conseguir e muito, mas muito menos de sentar e estudar para as provas que me aguardam. Imaginem conseguir marcar com a psicóloga pra conversar sobre o desfralde. Socorro! Porém, uma coisa que aprendi nesses quase dois anos de dupla jornada é ter paciência. As vezes esqueço disso e me desespero - principalmente no domingo a noite. A vontade é de pedir ajuda, me dividir em duas, sei lá!
Amanhã estará tudo bem. Agora, respirar fundo. Volto a dizer, isso tem que ter fim. Um remédio pra síndrome dominical, por favor.
Boa noite, os cadernos me esperam. Até o Santiago acordar.
Passar o fim de semana todo juntos, desde os ataques de birra aos carinhos e beijinhos espontâneos, me fortalece muito, e por outro lado me deixa triste, pois segunda tudo volta ao normal e, se é difícil pra mim entender e aceitar essa separação semanal, imaginem pra ele. Talvez eu seja uma mãe exagerada mesmo.
Mas, voltando ao domingo, acho que esse sentimento é global, mas tem se feito tão presente que está despertando meu ódio. No final da segunda tudo volta ao normal, mas a sensação de impotência no final do dia desanima muito. Parece que não vou ter tempo de ir na aula, nem de arranjar uma consulta no pediatra, muito menos de estar disponível no horário que eu conseguir e muito, mas muito menos de sentar e estudar para as provas que me aguardam. Imaginem conseguir marcar com a psicóloga pra conversar sobre o desfralde. Socorro! Porém, uma coisa que aprendi nesses quase dois anos de dupla jornada é ter paciência. As vezes esqueço disso e me desespero - principalmente no domingo a noite. A vontade é de pedir ajuda, me dividir em duas, sei lá!
Amanhã estará tudo bem. Agora, respirar fundo. Volto a dizer, isso tem que ter fim. Um remédio pra síndrome dominical, por favor.
Boa noite, os cadernos me esperam. Até o Santiago acordar.
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