sábado, 29 de dezembro de 2012

2013

"(...)
Qual o mundo que você precisa exterminar da sua vida? (...)
O mundo obcecado do amor doentio, aquele amor que só persiste pelo medo da solidão, e que de frustração em frustração vai minando sua possibilidade de ser feliz de outro modo.
O mundo das coisas sem importância. Quanta dedicação ao sobrenome do fulano, à conta bancária do sicrano, à vida amorosa da beltrana, o quanto ela pagou, o quanto ele deveu, quem reatou. Por cinco minutos, vá lá. Os neurônios precisam descansar. Mas esse trelelé o dia inteiro, socorro. (...)"

     Retirado do texto "O Fim e o Começo" de Martha Medeiros, na ZH deste domingo.
     Achei esse texto conveniente para começar a -tentar- falar sobre o ano que passou e o que está por vir, pois foram assuntos que dediquei um pouco mais de reflexões.
     Mas esse ano foi duro. Por desafios que aceitei encarar e por outros que não eram nem cogitados e que a roda da vida nos impôs. E esses calam fundo em nossos corações. Perdi dois dos meus avós. A morte nos tira as palavras e é só isso que tenho a dizer.
     A vida de gente grande não é fácil mesmo. Mas essa não é hora de lamentações, é preciso pensar nos esforços recompensados, nos amigos cativados e no amor reafirmado para seguirmos em frente e renovar as nossas esperanças. É preciso lembrar que os únicos responsáveis pelo nosso futuro somos nós mesmos, e que tudo de que precisamos é de fé, de companhia e de força de vontade.
     Voltando ao texto, durante esse ano percebi o quanto as pessoas estão equivocadas quanto ao amor e os valores - em relação à minha percepção, é claro. Tem um texto que rola nesses compartilhamentos e que achei bem verdadeiro, onde diz que é fácil amar na mesa do bar, na noite, etc, difícil é quando a outra pessoa muda ou está em uma situação adversa precisando desse amor. Tive a chance de ser mãe cedo e de assumir um compromisso mais cedo que o normal. E isso me levou a crer que muitos amores são jogados fora pelo fato de que num certo dia a pessoa estava um tanto diferente. Somos humanos, somos imperfeitos. O amor do dia a dia, não é regado a fogos de artifício numa noite estrelada, lamento. Pra mim, o amor é muito mais que isso. É te sentir acompanhada e realizada não no melhor restaurante, frente aos outros, maquiada e de salto alto, e sim, preparando um jantar qualquer, cabelo molhado, pé descalço, na intimidade e cumplicidade de duas pessoas diferentes e que podem se sentir à vontade mesmo assim. Mesmo que o dia (e talvez o semestre) tenha sido cansativo, sabes que o conforto de quem te ama estará disponível no fim da tarde. O amor não é constante e pra ser duradouro é preciso dedicação e flexibilidade.
      Outra coisa tão distorcida é a falta de simplicidade em todos os âmbitos. Falta simplicidade pra pensar, pra resolver problemas, pra levar a vida, pra se vestir, pra falar, pra educar nossos filhos, pra encarar o mundo. E isso está debaixo do nosso nariz...
     Então, que 2013 (apesar desse número ímpar feio no fim) seja leve, simples. Que transborde o amor verdadeiro, simples. Que transborde a paz em nossos lares e mentes, simples assim. Que não nos falte saúde nem fé para colocarmos em prática tudo o que sonhamos e planejamos. Que possamos executar nossos projetos visando a simples plenitude de mais um ano em nossas vidas. E que aqueles que partiram estejam na simplicidade do descanso, zelando por nós.
    "Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo." 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Quer mamãe

    Sempre quis ser a dona de um beijo que curasse dodóis. Melhor, "dadáis", como diz meu pequeno aventureiro. São essas e outras incumbencias que nos fazem sentir no dia a dia o sentido da palavra mãe. Quase dois anos depois de realmente me tornar mãe fui capaz de entender que algumas coisas só podem ser resolvidas pela mamãe. 
     Claro que nos primeiros meses a gente sente isso, especialmente nos primeiros dias, onde existe uma necessidade fisiológica de sono e uma necessidade biológica de amamentar, ninar, cuidar... mas com o tempo isso diminui um pouco e vem em crises. Agora, as vezes sinto necessidade de alguém mais para dar conta de coisas corriqueiras da vida de mãe, como conversar com a escolinha, consultas de rotina, etc e tal, até que contando com a ajuda da minha mãe, além do Gonçalo, vejo que nada feito. Mãe é mãe, né? Infelizmente, o final do semestre não respeita minhas obrigações como mãe - que são sempre prioridade -, e nessas horas não há quem possa socorrer.
     Concomitante a isso, o desenvolvimento da fala do Santiago me brindou, essa semana que passou, com uma nova expressão: "quer mamãe". Meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração de alegria e... culpa. Meu filho aprendeu a expressar que eu realmente faço falta no diazinho dele, e que o que ele quer é... mamãe. Claro, ele não tem nem dois anos, isso é o natural. Ele que nunca foi de muito colo, pede para sentar comigo e ainda para dormir junto a noite. Particularmente, eu adoro. Renova a confiança e a cumplicidade entre nós e eu aproveito para matar a constante saudade que sinto. Cheguei a conclusão, também essa semana, que sou mãe exagerada mesmo e potencializo todos esses sentimentos.
     Enfim, das conclusões dessa semana pré provas finais, o que fica é que ter um beijo que cure dodóis e receber um "cabo dadái" logo após não é tarefa fácil, mas é mais do que compensatória. Felizmente, esses 40 créditos estão chegando ao fim e as coisas voltarão a um ritmo mais leve depois de cinco meses ligados no 220. Mal posso esperar!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A mãe antes dos 20

     Acho que pode-se definir ser mãe antes dos 20  em uma palavra: aventura. Uma aventura doce, cheia de felicidade, mas repleta de responsabilidade. A coisa toda é um processo de amadurecimento, que começa lá dentro da barriga e não termina tão cedo assim. Mas ser mãe cedo tem vários quês a mais, um deles a cara de criança que ainda está estampada na sua face, e não há como fugir.
     As pessoas não levam a sério: principalmente as vovós que encontro na rua quando estamos passeando - elas ficam incrédulas, abismadas, apavoradas - e isso é o que transparecem, imagina o que passa dentro da cabeça dessas senhorinhas. Os comentários são muito freqüentes, mas a pior situação foi quando precisamos de uma pediatra plantonista e ela nos tratou como se fossemos completos irresponsáveis e fez eu me sentir muito mal durante todo o atendimento. Foi bem difícil. Mas no geral lido bem com esse tipo de coisa, principalmente pelo fato de que as vezes estou pensando nas coisas a fazer, entre mãe/mulher/estudante/etcetal e quando me olho no espelho fico chocada com a MINHA cara de criança! É verdade, juro. A sensação é que a aparência que vejo não é condizente com tudo aquilo que funciona aqui dentro. Então, caras vovós, vocês estão perdoadas.
     Sempre acreditei na simplicidade das coisas, e tive a sorte de encontrar alguém que partilha comigo essa idéia. E com essas nossas caras deslavadas de meros adolescentes, recebemos o Santiago  em nossas vidas, e isso foi o melhor que podia nos acontecer. Confiando em nossos instintos, amadurecemos como muitos adultos de 40 anos ainda não amadureceram, e estamos conseguindo sobreviver a essa aventura toda tentando transmitir essa simplicidade de pensar e agir para nosso filho. Mais que sobreviver. Estamos vivendo uma experiência única com um aprendizado sem igual. E isso não se ensina em escola nenhuma. 
     É uma questão de diminuir as expectativas e exceder os limites - não se sabe o que iremos enfrentar todo dia. Lidar com febres inesperadas, viroses, palavras novas, gostos novos todos os dias nos exige, mas tudo faz parte de um dia a dia prazeroso, já que se ele não puder ir a escolinha, somos felizmente obrigados a passar todo o dia juntos.
     Enfim, é como sabiamente disse meu sobrinho Be: "mamãe quero a felicidade". Todos queremos. E nós temos, eu sei. Não importa para o Santiago se quando ele nasceu a mãe era muito jovem (e existe idade pra ser feliz?), ou se não o programamos em nossas vidas (e existe momento certo para ser feliz?), e sim, importa como ele foi recebido por todos nós, principalmente mãe e pai, que agora se dedicam a ele (e existe felicidade sem amor?). 

domingo, 11 de novembro de 2012

Síndrome de Domingo

      Isso tem que terminar. Todo domingo é a mesma história: chega o fim de tarde, a angústia da semana que está para começar e o Santiago apronta alguma - febre, dor de garganta ou qualquer outra coisa que potencializam o peso nas minhas costas. É a mesma sensação sempre, de que não serei capaz de vencer os desafios que a minha rotina me impõem, e isso é tão dolorido....
     Passar o  fim de semana todo juntos, desde os ataques de birra aos carinhos e beijinhos espontâneos, me fortalece muito, e por outro lado me deixa triste, pois segunda tudo volta ao normal e, se é difícil pra mim entender e aceitar essa separação semanal, imaginem pra ele. Talvez eu seja uma mãe exagerada mesmo.
     Mas, voltando ao domingo, acho que esse sentimento é global, mas tem se feito tão presente que está despertando meu ódio. No final da segunda tudo volta ao normal, mas a sensação de impotência no final do dia desanima muito. Parece que não vou ter tempo de ir na aula, nem de arranjar uma consulta no pediatra, muito menos de estar disponível no horário que eu conseguir e muito, mas muito menos de sentar e estudar para as provas que me aguardam. Imaginem conseguir marcar com a psicóloga pra conversar sobre o desfralde. Socorro! Porém, uma coisa que aprendi nesses quase dois anos de dupla jornada é ter paciência. As vezes esqueço disso e me desespero - principalmente no domingo a noite. A vontade é de pedir ajuda, me dividir em duas, sei lá!
     Amanhã estará tudo bem. Agora, respirar fundo. Volto a dizer, isso tem que ter fim. Um remédio pra síndrome dominical, por favor.
     Boa noite, os cadernos me esperam. Até o Santiago acordar.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

     Há pouco tempo atrás me referi aqui a minha avó no seu dia. Hoje escrevo por outro motivo, infelizmente. Com gosto de derrota. Mais uma vez a morte vence a vida e nos leva alguém. O sol, aqui na fronteira, se despede pra dar lugar a mais uma estrela no ceu.  Fraquinha, acredito que foi melhor assim. Agora ela voltará a encontrar aquele que sempre chamou de "meu bem", e de lá de cima continuarão olhando por nós.
     Fico triste em saber que apesar de conhecer, ela nunca reconheceu o Santiago, devido a sua doença, mas era possível ver o quanto ela se alegrava com ele...
     Felizmente pude me despedir de perto e agradecer a ela, juntamente com uma oração para que ela encontre o lugar onde possa voltar a ser a Vivi, como eu chamava quando criança, sempre tão bondosa, educada e querida por todos. Sei que lá em cima tem um casal que irá me acompanhar sempre, e brindar conosco todas s fases do seu primeiro bisneto. 
     Deixo aqui um poema que sempre me basta nessas horas. Descansa, vó.

     Poema de Natal - Vinícius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

?

Hoje foi a primeira vez que não levei o Santiago no pediatra. Bobagem? Não se isso for um reflexo do que tem acontecido desde o inicio do semestre. Sei que é uma opção que fiz. Mas sem tanta certeza... Não é que terça eu chegarei após as 18 horas. Mas sim porque quarta sairei as 7 e chegarei as 17:30. E quinta. E sexta. Uma trégua e começa de novo.
Tenho funcionado além do que imagino. Mas isso tem tido consequências. Algumas simples, como dores de cabeça freqüentes. Outras mais difíceis de lidar, como a culpa. Meu questionamento é se compensa. Essa ausência da mãe numa fase tão importante. Os 40 créditos estarão disponíveis semestre que vem. O um ano e oito meses do meu filho não. Nem semestre que vem e nem em outro momento. O aprendizado da fala, dos limites, das relações em si não esperam a aula de Inseminação Artificial terminar copiosamente as 18 horas. E o que passou, passou. Mesmo. Chega a ser redundante, mas dói. Desanima, me sufoca e me entristece. Ao mesmo tempo que me faz feliz saber que estou mais perto não só de me formar, mas de tomar as rédeas da vida, de vez. A exigência de horários e, pior, fora do horário por muitas vezes me fazem repensar, e pensar, e repensar de novo. Me falta coragem, também, para desistir. Quando assumi e decidi que iria tentar, sabia que não iria desistir tão cedo. Principalmente porque tenho apoio e não estou nem um pouco sozinha nessa - jogo com os melhores cavaleiros.
Tenho que admitir que por muitas vezes falta força...
Sei que comparado a muitas outras mães sou super presente. Mas não acordo com meu filho todos os dias, nem tenho a chance de dizer bom dia e que estive ali durante a noite. Sempre fica um receio, uma pontinha de tristeza ao dar um beijo nele, dormindo, antes de sair de manhã, pensando que só irei revê-lo no final do dia. Apesar de nosso tempo juntos ser de qualidade, onde faço todas as tarefas como janta, banho, colocar para dormir, quando vejo já estou colocando ele novamente no berço, e aí, só no final do outro dia...
É difícil não pela carga da faculdade, mas pela distância que afasta meu pedacinho de mim. Para ele acho que não dói tanto, afinal na escolinha eles tem atividades que fazem o dia passar rapidinho. Apesar disso o reencontro é sempre gratificante. Ao olhar o sorriso dele dizendo mamãe e me
contando seu dia com seu pequeno - porém rico - vocabulário, me confortam completamente.
Sou realizada nas duas tarefas, talvez por isso seja tão difícil essa divisão. Enquanto dá, eu vou. Cabeça erguida, independente das freqüentes olheiras. Corpo presente, apesar de quase sempre cansado. Agora coração, sempre junto com alguém que faz ele bater mais forte com o amor verdadeiro que me fornece todo dia. Temo sentir os reflexos de tudo isso mais tarde. Mãe é forte, mas não é super mulher. As nossas dúvidas em relação aos filhos são, talvez, as mais cruéis, pois temos medo de errar ao lapidar nossas jóias. É uma missão difícil e que exige responsabilidade. Infinitas vezes mais do que a prova de eqüinos que está atormentando minha semana.
Espero ser capaz de não falhar com o Santiago. E poder dizer para ele que todo esse esforço não foi em vão e foi por ele e pela nossa família. Que me deu ânimo e coragem para levantar todos os dias e aguentar até o fim da tarde, morrendo de saudades das palavrinhas, do sorriso e das invenções do meu amorzinho. Vamos lá, que o semestre já tá no meio. Força na peruca.  


sábado, 1 de setembro de 2012

Receitinha

    Dentre os ingredientes que devemos unir para se transformar em mãe e, talvez o principal, seja a coragem. Essa receita começa a ser preparada desde que sabemos que outro ser reside em nós e acho que nunca apronta. Mas posso dizer que a coragem é fundamental, principalmente quando se trata de maternidade "fora de hora"/"mas tão novinha"/"quantos anos tu tens?"/"quem é a mãe?".
    Coragem primeiro, pra aceitar. Depois pra assumir. Depois pra mostrar a barriga. E depois o bebê. E depois pra deixar na escolinha. E voltar pra faculdade. E aumentar as cadeiras da faculdade. E pra aceitar a distância e independência deles em relação a gente. Sim, a maternidade é uma das coisas mais dinâmicas que já conheci.
    Estou retomando minha dupla jornada mãe x estudante e dessa vez pra valer. Força total. E agora, estou buscando aquele ingredientezinho fundamental da receita maternidade pra acreditar que tudo vai dar certo, pois essa é a minha chance, e ser mãe me fez crer que a gente pode ir muito mais longe do que pensa e crescer diante da adversidade.
    É nisso que estou acreditando, e que dia após dia, passo-a-passo, vai dar certo. Uma coisa de cada vez. Um dia de cada vez. Esse é um dos resultados daquela receitinha. 
    Força na peruca!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Currículo

Posso colocar no meu currículo:
"Mãe de Santiago, 1 ano e 6 meses." ?
Acho que agregaria bastante.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos Pais

    Se hoje escrevo aqui a nossa história com o Santiago é por causa dele. Ele que apoiou essa nossa aventura desde o primeiríssimo instante. Desde a primeira vez que ouvimos o coração do Santiago bater, com 13 semanas de gestação, e enquanto eu ainda estava aturdida com a notícia, ele já escutava com paciência e amor aquele som. E a partir daí, todos os dias ele amou o Santiago. E me achou bonita até com um barrigão prestes a explodir, caminhando igual a uma pata. E eu não teria conseguido segurar a barra toda se não fosse por ele - o Gonçalo.
    Depois do nascimento, ele foi - e é - um pai muito participativo, não só por trocar fraldas, mas por partilhar de todos os momentos do Tatá, desde o banho, levar na escolinha, vestir, pediatra, hora de dormir, etc. Entretanto, mais do que tudo isso, ele foi meu maior incentivador a seguir a faculdade. Me encorajou e assumiu o Santiago naquele tempo em que eu não estava por perto e, novamente, se não fosse por ele não teria dado certo.
    Então, nesse dia dos pais, vai um parabéns especial para esse pai que vestiu a camisa junto comigo e é meu companheiro desde as horas tranquilas até as noites mal dormidas. Sempre digo que fico realizada que toda essa aventura tenha acontecido ao lado dele, e que fomos capazes de construir essa família que temos.
    Antes disso, tenho que parabenizar outra pessoa que também, se não fosse ele, nada teria funcionado. O meu pai. Que até aqui tinha sido um paizão, agora também é um super vovô. Ele que me ensina diariamente como ser honesto, humilde e trabalhador. E, mais, me ensinou a amar o que se faz, tanto que hoje partilhamos a mesma profissão e a dedicação aos animais. Muito obrigada pai.
    Feliz dia dos pais a todos que, além de cuidarem dos filhos, também tem que cuidar e paparicar as mamães. Presentes, ou não, hoje o dia é de vocês!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ansiedade de Separação

    Já faz um ano e ainda dói. Deixei o Santiago na escolinha há 20 minutos e o tempo parece que não passa com esse silêncio em casa.
    Ontem vimos um filme - "Não sei como ela consegue" - sobre uma mãe que trabalha, tem dois filhos e tem que fazer malabarismo entre as duas atividades tão prazerosas pra ela. E, em determinada parte, ela diz que aos 2 anos a ansiedade de separação cede nas crianças, mas nas mães isso não tem fim. Sabe, acho que é verdade. Mesmo sabendo que ele está feliz, sai do meu colo pra ver as brincadeiras dos colegas e matar a saudade das prof's, a minha vontade é puxar uma cadeira e sentar ali na porta, só pra ficar espiando como meu Tatá se vira sem mim. Pois é claro que ele se vira, bobas somos nós mães que achamos que eles não desgrudam da gente.
    Lembro dos primeiros dias na escolinha, com apenas 6 meses, e o quanto foi doída essa separação, mesmo que por poucas horas. Quando a gente descobre que está grávida, sabe que não mais está sozinha e que tem alguém compartilhando seu corpo, seu sangue e sua alma, até o nascimento, quando alguns desses laços se rompem. Alguns, eu disse. Outros nunca mais. É difícil, não só pela separação em si, mas pelo fato de que há 6 meses atrás tinha ocorrido uma união tão forte que parece ilógico ter que desfazê-la em parte. Não sei explicar. O que quero dizer é que quando os filhos nascem, nossa vida é dedicação quase que total à eles; Primeiro a gente se acostuma a tê-los 24 horas por dia junto, atendendo a todas as necessidades deles e abdicando de todo o resto. E, logo ali, 6 meses depois que desacostumamos da nossa vida rotineira, temos que seguir em frente e retomar o dia-a-dia. A sensação é tão estranha que lembro de sair da escolinha e pensar, o que vou fazer agora? Já não sabia mais. É assim mesmo que a gente se sente, desnorteada. 
    E agora, 1 ano depois disso, revivo essa situação. Parece mentira, mas estou aqui escrevendo enquanto espero pra ligar pra lá e saber se ele está bem. Pobre telefone e pobre das secretárias: "Oi, fulana, aqui é a Ana, mãe do Santiago, tudo bem?". Elas devem ter pavor de ouvir minha voz. Eu não me importo.
    Pois então, vou esperar ansiosamente até as 13:30 tentando achar o que fazer dentro da ausência do Santiago à nossa volta. É uma tarefa difícil, mas o reencontro é recompensador. Quer saber, enquanto não retomo a minha dupla jornada, acho que vou aproveitar e exercitar meu coração para não sentir tanto essa ansiedade de separação.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Santiago não quer comer

    O Santiago é uma criança tranquila na maioria das coisas. Exceto alimentação. Até os 5 meses, com aleitamento materno exclusivo, era tudo uma beleza. Engordava vertiginosamente a cada consulta. Depois disso, as dificuldades começaram a aparecer.
    Primeiro o suquinho. E lá ia a mamãe, comprar frutas frescas e preparar um suco super esterilizado na mamadeira mais do que fervida as 8:00am. Santiago sequer provava. Fiquei muito desapontada nesse primeiro teste, mas em seguida vieram as frutas e a situação melhorou um pouco. Até que, com 6 meses, juntamente com o ingresso na escolinha e o rompimento dos primeiros dentes veio a tão esperada papinha.Que decepção!
    Foi um mês de tentativas em vão e sopinhas que iam pro lixo após serem desprezadas pelo Santiago. Não é fácil não. Depois de tanta insistência, consegui que ele comesse uma sopa fria. Ainda tinha a esperança do arroz com feijão - pior ainda. Se ele vê o prato preto de feijão, já era. Porém achei que, como a maioria das coisas, essa inapetência fosse passageira.
    Aí que eu estava enganada. O Santiago está com 1 ano e meio e a coisa parece estar agravando. Somada às viroses, amigdalites, otites, ataques de asma e tudo que é possível, essa inapetência tem me arrancado os cabelos.
    É muito chato a gente se dedicar e fazer uma comidinha boa e ele nem experimentar. Mas o pior é ver isso se repetir por dias e dias. Fico tensa, triste, preocupada, irritada e tudo o que é possível.
    Já recebi diversos conselhos, mas parece que nada funciona com o Santiago. Agora fala a palavra "doce" perto dele. Hã! Até pedra! Sei que é comum, que ele está crescendo corretamente e desenvolvendo no ritmo normal, mas ninguém tira minha agonia.
    Mas amanhã - amanhã mesmo - vou dar um jeito nisso. Nem que eu tenha que arrancar um estimulante de apetite do pediatra. E assim nós vamos: o Santiago nega e eu embolso todos os papás dele!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Encantadora de Bebês x Soluções para Noites sem Choro

          Quando estava grávida minha cunhada e amiga me emprestou um livro muito famoso chamado “A Encantadora de Bebês”, que promete solucionar, de modo racional, todos os problemas e esclarecer as dúvidas sobre recém-nascidos e bebês maiores, como sono, alimentação, comportamento, etc. Então, durante a gravidez, dediquei um tempo ao tal livro e pensei: muito fácil! É só colocar ele na cama acordado, não deixar que ele durma mamando, oferecer 15 vezes o mesmo alimento até ele aceitar, não tirá-lo do berço assim que ele começasse a chorar para que ele não associasse o choro ao colo e tantas outras lições que pareciam ser óbvias naquele momento.

Mas é assim mesmo. Todos somos ótimos pais até que nossos filhos nasçam e derrubem todas essas teorias perfeitas de como criar um filho que dorme sozinho, come de tudo e é independente. Peraí, gente! Eles têm menos de um ano. Eles tinham tudo sem precisar pedir quando estavam na barriga. Eles viviam quentinhos, protegidos, alimentados e, o mais importante, unidos às mães fisicamente e – por que não - emocionalmente.
Assim, quando o Santiago nasceu, anotávamos a hora que ele tinha mamado, quantos cocôs tinha feito e quanto tinha durado a soneca da tarde. É claro que isso durou não mais que dois dias. A exaustão dos primeiros dias sem dormir e o insucesso nas teorias vieram como um balde de água fria no meu projeto de como criar um filho exemplar. Santiago dormia mamando, mamava dormindo, acordava inúmeras vezes pra mamar durante a noite, fazia sonecas longas durante o dia, tinha colo sempre que queria, era embalado pra dormir e todos os mimos que tinha direito. Exatamente o contrário de tudo que o livro ensinava. Confesso que isso me deixou um pouco frustrada; Afinal, é cansativo embalar um nenê que engorda em progressão geométrica, amamentar a toda hora e dormir pouco por tanto tempo.  
Mas essa frustração não durou muito tempo. Já disse anteriormente que sou do tipo de mãe que acredita no instinto. E nosso instinto não é deixar o bebê chorando até dormir no berço, apenas olhando pra ele como conforto. Nosso instinto não é negar que o bebê durma junto com a mãe. Nem negar o peito porque não completou 3 horas de intervalo entre as mamadas. Muito menos deixar de acalmar, aconchegar e transmitir confiança para aquele bichinho tão novo no mundo quanto a nossa carreira materna.
A partir daí, larguei a “Encantadora de Bebês” e suas técnicas infalíveis para seguir a minha diretriz: aprender a ser mãe com meu filho, atendendo às necessidades dele, procurando sempre me tornar um porto seguro, onde ele encontre aconchego e conforto.
Certa vez, encontrei uma página na internet intitulada “Soluções para noites sem choro”, onde pude ver que não estava sozinha nessa, e que muitas outras mamães também seguiam seu instinto e optavam pela proximidade com os filhos, através da cama compartilhada (dormir junto com os bebês, com todas as medidas de segurança, é claro), da amamentação prolongada e tantos outros métodos que são totalmente contra aqueles propostos pela “Encantadora de Bebês”. Senti-me mais amparada e vi que estava fazendo a coisa certa. Até agora não me arrependo de deixar que o Santiago durma junto de vez em quando, de ter feito um desmame gradual e sem traumas, de ter deixado ele dormir mamando por um ano e 4 meses, já que agora ele até pede pra dormir no berço – naturalmente.
Enfim, acredito que a maternidade e tudo que a rodeia deve ocorrer assim: naturalmente. Porque o natural é o aconchego e o amparo, é o abraço e a paciência; o natural é o amor! O amor absoluto que doamos aos nossos filhos e que através dele somos capazes de ensiná-los como ser um filho exemplar – independente e seguro, sempre com a proteção materna por trás, até quando ele quiser e naturalmente vá criando asas pra voar por si próprio.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dia da avó

    Agora que sou mãe, entendo como era ruim para nossos pais quando a vó dava doce na hora do almoço. Parece que os avós tem um compromisso social de deseducar as crianças! E o pior, as crianças se apaixonam.
    O Santiago adora as vovós, tanto que nos últimos dias em que estávamos visitando a minha mãe, qualquer queixa era "vovóvovóvovóvovó". Não queria dormir: vovó. Não queria comer: vovó. Não queria tomar remédio: vovó. E os pais que aguentem. Com a outra vovó também, toma mate, vê tv bem sentado e tudo mais.
    Por vezes fico até com ciúmes, parece que ele agrada as vovós por gosto!
    A grande verdade é que eles se sentem tão a  vontade com as vovós quanto nós nos sentimos, já que transmitimos a confiança que temos nas nossas poderosas mães para eles. Afinal, vó é mãe duas vezes, e amor de mãe não se compara.
    Parabéns para minhas avós que souberam me mimar tão bem quanto as vovós do Santiago, e para minha mãe e minha sogra por serem vovós tão mães como são. Beijos!

Carinho espontâneo

Quando falamos em pureza, inocência, rapidamente nos remetemos a infância, já que quando nascemos não sabemos nada desse mundo e a cada dia que passa a vida nos ensina um pouquinho das regras, até que sejamos adultos e ‘sabidos’ o suficiente para recomeçar e enxergar através dos olhos das crianças, relembrando o valor de tais sentimentos.
Digo isso porque só convivendo e vivendo com uma criança é possível perceber que o amor não tem instruções, nem bula, nem modo de usar. O amor a gente constrói em gestos, palavras, carinho, cumplicidade e respeito. Tudo isso com espontaneidade, com o coração. O amor acontece e se é forçado não vinga.
Onde quero chegar é que, por estar em férias e em tempo quase que integral com o Santiago, muitas vezes fico surpresa com certos gestos vindos dele. Gestos que refletem a relação de confiança que construímos até aqui – o amor que construímos e que se traduz em beijos inesperados no meio da brincadeira, num “mamãeee” ou “papaiii” ao menor sumiço nosso, num colo em busca de conforto, e tantas outras coisas que saem tão naturalmente que chega a nos surpreender. É como se fosse uma representação da inocência presente nessas pessoinhas.
Isso nos surpreende porque nós adultos tivemos nossa pureza mascarada pelas rodas da vida. Aprendemos que nada vem de graça, nem mesmo um sorriso. Desenvolvemos com extrema precisão o egoísmo e o distribuímos por todo lado. Nessas horas, deveríamos parar um pouco de ser gente grande e nos espelharmos naquela gente pequena que possui alma branda.
Na verdade, isso é apenas um detalhe do quanto aprendemos junto com nossos filhos. Desde a notícia da gestação até agora somos outras pessoas e, como sempre digo, pessoas melhores; pois desde aí fomos capazes de abandonar a posição de ‘sabidos’ para recomeçar e aprender tudo de novo junto com o Santiago, com os olhos dele.
Esse carinho espontâneo me deixa tão feliz que me sinto vencedora na difícil tarefa de criar um filho, o que deixa todo resto sem valor. Aquele intercâmbio da faculdade, aquela viagem, aquela vida sem preocupações além de mim passam a ser tão dispensáveis e passageiros que nem deixam saudade nem vontade. Sabe por quê? Porque ninguém tem o que eu tenho – o ‘mamaine’ ao acordar, o aconchego pra dormir, o companheiro de descobertas, um coração puro e inocente do qual nós somos os guias, os pais. Um filho único como o Santiago.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Amamenta, mamãe !

    Antes do Santiago nascer, a amamentação foi um tema que não gerou preocupação - se pudesse e conseguisse amamentar, com certeza eu o faria, sabendo de todos os benefícios que traz. E, sim, eu podia, como a maioria das mães de todo o mundo. Podemos, e mais, devemos. Hoje sou fã e levanto a bandeira da amamentação não só como o melhor alimento para o bebê, mas pela praticidade, pela naturalidade e pelo melhor vínculo de confiança e aconchego criado entre mãe e filho.
    Com o Santiago foi relativamente fácil, pois existem mães que ficam com receio da dor, mães que querem tanto amamentar que ficam tensas e não vai adiante, e também crianças que não conseguem sugar, além daquelas que nem tem a oportunidade de aprender, visto que já conhecem a mamadeira. Apesar do leite demorar um pouco a aparecer de verdade - umas 48-36 horas de colostro apenas - o contato com a mãe e a sucção estimulam hormonalmente e, sim, emocionalmente a produção de leite. Nessas horas tensas, o certo é oferecer fórmulas em copinhos para não prejudicar o aleitamento.
    Depois disso, vem a enxurrada! Leite pra dar e vender. Existem bancos de leite, inclusive, para mães que tem leite de sobra.
    É um pouco desconfortável esse excesso, mas nos deixa tranquila de que o bebê está bem alimentado.
Aos poucos, a produção se ajusta e não nos sentimos mais uma vaca holandesa. Porém, não é raro de acontecer as temidas "rachaduras" que doem demais! E dar de mamar nessas horas é horrível, ao mesmo tempo que precisamos esgotar o leite para não "empedrar". Todas essas coisas acontecem. E como tudo, passa. Posso dizer que não teve muito impacto negativo pra mim, e acredito que para outra mães também.
    E assim se vão os 3 primeiros meses mais difíceis, e lá pelos 6 meses muitas mamães encerram essa fase. 
    Pra mim foi diferente. Sou do tipo de mãe instintiva. Acredito que quanto mais nos aproximarmos do instinto animal, sem tantas invenções, mais certo dá. 
    E, assim, dei o peito sempre que o Santiago quis ou precisou, até 1 ano e 4 meses. Sem respeitar as 3 horas de intervalo, em viagens, em festas, pra dormir, pra acordar, pra acalmar, pra aconchegar. Essa é a função do aleitamento. Acredito que, ao contrário do que muitos livros dizem, a amamentação prolongada não torna a criança muito dependente da mãe; E, sim, muito mais independente, com a certeza de que sempre que precisar, o aconchego materno estará disponível para ajudar a enfrentar quaisquer que sejam as adversidades na vida de uma pequena pessoinha. Com o Santiago foi assim.
    Porém, infelizmente, o nosso dia a dia não nos permite ser mães lobas por tempo indeterminado. A hora da separação chega e dói. Como dói. Muito mais do que as rachaduras. Dói no coração da gente ser obrigada pelos mais diversos motivos a desmamar o bebê. Pra mim foi obrigação, sim, pois amamentar sempre foi um prazer e um momento só meu e dele, um encontro marcado só para nós dois, onde apesar de ter passado tanto tempo longe durante o dia, sabíamos que estaríamos juntos até ele pegar no sono, no meu colo, meu peito, meus braços. 
    Isso dificultou ainda mais o desmame, pois o Santiago não aceitava mamadeira e não sabia dormir sem estar mamando. Um desafio e tanto! Assim, foram dias muito conturbados, muito choro, muito pesar da minha parte de não poder estar pertinho dele daquele jeito que ficávamos a 1 ano e 4 meses: toda vida do Santiago. Até que então resolvi assumir as rédeas da empreitada e fazer do meu jeito, contrário a todos os conselhos que recebi. Pelo meu instinto de mãe. E aos poucos, sem me afastar, conseguimos substituir o mamá-nosso-de-cada-dia por músicas, histórias, pela mãozinha dada, etc. Um dia com muito choro, no outro um pouco menos, um dia durando uma hora, no outro 45 minutos, até que agora o adormecer é tranquilo. Não foi fácil, mas hoje fico orgulhosa (sim!) de dizer que EU desmamei o Santiago e agora ele sabe dormir sozinho com seu travesseirinho e até aceita mamadeira de vez em quando! O instinto falou mais alto e deu certo. 
    Por vezes sinto falta da tranquilidade e facilidade que era o momento do mamá, e também sinto uma pontinha de receio de ver meu pequeno cada dia mais independente de mim; mas sei que esse crescimento é unidirecional, com rumo para o mundo afora. E, nós mães, temos que ir desaprendendo a ser tão leoas com as nossas crias.

terça-feira, 10 de julho de 2012

A pergunta que não quer(ia) calar

    Quando soube da gestação do Santiago, surgiu uma pergunta em mim que levou tempo para desaparecer: por que comigo? E isso me tirou o sono, a fome, as palavras por várias vezes. Logo eu, que sempre fui tão tranquila, organizada e sempre tive tudo tão claro na minha vida. Aquela ordem cronológica que a gente imagina, almeja, e no meu caso, era a minha prioridade, que eu seguia com unhas e dentes, ficando muito desapontada quando não saía do jeito que eu havia planejado. Colégio, faculdade, trabalho, casamento, filhos, envelhecer no meu cantinho.    
    Pois bem. Acredito que foi isso, exatamente isso, essa minha forma de querer controlar o destino e passar por cima de tudo que existe por trás da gente, que fez com que eu tivesse esse “contratempo” na minha linha. Para eu abrir os olhos. E a mente, e o coração. E o meu corpo, também, para receber um anjo que atravessou o meu caminho e revirou, bagunçou, acabou com a minha cronologia perfeita. E daí?
    Ouvi essa tese de uma pessoa que nem tenho contato, nem tem nada a ver comigo, mas foi o argumento que me guiou durante muito tempo e me guia até hoje. Era um rascunho pra responder a minha pergunta.
    A diferença é que, desde o dia 26 de janeiro de 2011, eu venho recebendo a resposta para o meu questionamento. Recebo diariamente uma fraçãozinha dessa resposta, em forma de sorrisos, de colos, de choros (sim!), beijos, dancinhas e tudo mais; e hoje eu sei, tinha que ser comigo. Eu tinha que ser menos rígida comigo mesma e aceitar o que o Homem-Lá-De-Cima havia escolhido para mim.
    E, analisando tudo que recebi até hoje, a palavra que se sobrepõe é união. Foi esse o maior impacto do Santiago nas nossas vidas. Nada a ver com atrasar a faculdade e ter filhos antes do casamento. Isso não foi impacto, isso foi consequência da família que o Santiago uniu e, mais do que isso, consolidou.
    É claro que as coisas mudaram. Mas foi pra melhor. Antes do tempo? Quem liga... Tanta gente espera tanto tempo e nunca dá certo.
    Por que comigo? Porque Deus nos escolheu pra receber o maior presente que ele pode dar: uma nova vida, capaz de somar um casal, multiplicar o amor e dividir com todos à volta.

domingo, 8 de julho de 2012

A gravidez e seus atributos

    Dia 27 de julho de 2010 foi um divisor de águas nas nossas vidas. Fiquei sabendo que eu, Ana,  então com 18 anos, seria MÃE. Em letra maiúscula, sim, mãe com tudo que tem direito. Passado o susto inicial, e o medo-pavor-terror de que tudo desse errado, as coisas se acertaram e eu aceitei e matei no peito a condição em que eu me encontrava: prestes a ter um bebê. Parece tão forte falando assim né? Imaginem vendo. Imaginem pra mim, então, que recebia olhares contrariados de todas as faixas etárias e classes sociais e tipos de gente. Por mais forte que a gente seja nessas horas, tem horas que machuca, sim. A gente se sente menos, se sente um ET. Mas tudo isso passa. Hoje ando orgulhosa, exibindo meu filhote na rua, e já não me importo mais com olhares tortos e caras apavoradas. Eu sei que dou conta do recado e respondo com o maior prazer: não é meu irmão, é meu filho, sim !
    Antes desse dia fatídico, passei um mês com enjoos. Isso existe e não é invenção de grávida. E como é desonfortável ... Era sagrado, todo dia de manhã. Nisso, emagreci uns 2kg. Beleza, para o saldo que viria depois: foram uns 14kg a mais no total.  Mas ser mãe antes dos 20 tem o seu valor ! Um mês depois já estava com meu peso normal. E uns 8 meses depois pesava 6 kg a menos que o normal – a amamentação e o final do semestre fazem milagres !
    E assim decorrem os meses até o grande dia. Um dia a gente se sente linda, outro dia um desastre, mas na maioria das vezes, aceitável. Fora aquela vontade imensa de entrar na calça jeans, vestir uma camisa normal, mas tudo passa.
    O grande dia, pra mim, foi uma paz. A maior dor que senti foi o cateter na veia da mão direita. E quando vi, já tinha no meu colo o meu bichinho. Incrível. Ele era exatamente como eu tinha imaginado. E encontrou aconchego bem debaixo do meu braço, junto ao meu peito. Aí me senti completa. Senti o amor que as mães relatam. Amor, esse, que confirmo a cada dia.
   Mas nem tudo são flores, com uma música de ninar e cheirinho-de-bebê. Eles choram – e como choram. O leite demora a “descer”. A cesárea te impede de levantar. E as visitas, credo, não param. Pior, quando todo mundo vai embora dormir, a gente não prega o olho. Nem quando eles dormem, pois ficamos preocupadas se está tudo bem, respirando, etc e tal. A síndrome da morte súbita é o terror das mamães.
    Depois a gente vai pra casa, e a primeira semana é crítica. E no final dela, parece que já se passou um ano e que a gente já sabe tudo sobre a maternidade. Que nada, mera ilusão. Cada dia é uma invenção.
    Mas tudo passa. Não tem prazo pra eles dormirem a noite toda, pra desmamar, pra comer o grão do feijão, pra ganhar o mundo com as pernas. Mas tudo acontece no devido tempo, apesar de muitas vezes ser difícil a gente entender isso. É tudo parte de um grande aprendizado e de conhecimento mútuo que, apesar das dificuldades, é tão prazeroso que faz a gente amar e se emocionar com esses pedaços de gente a cada instante. A maternidade é mesmo uma aventura e, até agora, posso dizer que sobrevivi !

sábado, 7 de julho de 2012

Dupla jornada


    Quando o Santiago nasceu, dia 26 de janeiro de 2011, eu  – felizmente – estava de férias após um semestre bem sucedido com uma barriga de 9 meses.  Em março do mesmo ano, as aulas recomeçaram e eu estava batendo ponto na Faculdade de Veterinária. Não, eu não abandonei um bebê de 2 meses. Eu só não deixei que o vínculo com aquilo que sempre foi o meu sonho se esvaísse. Então, duas vezes por semana eu tinha breves aulas, que me permitiam amamentar o Santiago antes de ir e assim que chegasse,  deixando a responsa com o papai. E deu certo. Fui aprovada nas duas cadeiras que fiz, e meu filho cresceu bem gordinho e bem amparado até o fim do semestre. Aí já tinha iniciado minha dupla jornada.
    No outro semestre, a carga horária aumentou um pouco, e o Santiago, já com 6 meses, conheceu a escolinha (tema que receberá atenção especial mais adiante). Deu tudo certo de novo. Com um pouco mais de esforço, stress e outras complicações. Fui aprovada nas 3 cadeiras que cursei, sendo uma considerada um dos traumas da FAVET – a Bioquímica e Hematologia Clínicas.
    Agora, estou atualizando freneticamente meu e-mail à espera das notas finais do meu 3º semestre de dupla jornada. Esse foi mais difícil ainda. Um dia na semana com aula das 7:30 as 18:10. Desumano para uma mãe passar todo esse tempo longe e na angústia de saber se está tudo bem. Se ele comeu. Se ele dormiu. Se ele chorou pelo brinquedo. Se ele brigou com o colega. Se ele passou frio ou calor. Se a febre cedeu e a tosse passou. E assim por diante. Mas enfim, apesar de vários “tu não vai conseguir”, “é muita coisa”, “e o que tu vai fazer com o Santiago?”, nós – até agora, e só falta uma – conseguimos. E não perdemos pedaço nenhum, nem amor, nem carinho, nem nada.
    Tive que reaprender a estudar naqueles horários vagos entre as 22:00 e as 7:00 e nas sonecas da tarde quando eu estava em casa, e aproveitar o máximo das aulas.  E também a lidar com as febres em vésperas de prova, a não poder levar na escolinha pelas viroses de inverno, a sair correndo a 80km/h pra chegar um segundinho antes e rever o meu filhote. É uma gincana. Malabarismo total. E ainda assim, não consigo traduzir tudo que passou na nossa vida a três nesse semestre.
    Entretanto, fico muito feliz de dizer que não parei de buscar meu sonho, e mais ainda por ter pessoas que me ajudaram com isso, principalmente o Gonçalo. E nisso tudo, aprendi que a vontade e perseverança nossas, valem muito mais do que os conselhos negativos e olhares duvidosos que a gente recebe gratuitamente.  Ser mãe não é abdicar da liberdade e dos nossos desejos. Ser mãe é ganhar um companheiro nessa jornada.

Do começo

Olá !! Sou a Ana, tenho 20 anos e sou mãe e noiva. Sim ! Mãe !!! Sou mãe do Santiago, um cara lindo e saudável de 1 ano e 5 meses, que nos faz muito feliz. E é por isso que decidi criar este espaço, a fim de contar e compartilhar algumas experiências e lições que a maternidade antes dos 20 tem me ensinado.
Tenho essa idéia já faz um tempo, mas conforme for contando, vocês verão que tempo ocioso é ouro na vida de uma mãe/mulher/noiva/estudante. 
Então, aos poucos vou contando todas as fases que passamos até chegar aqui. Posso garantir que não foi fácil, mas com certeza foi gratificante e enriquecedor pra mim, pro Gonçalo, meu noivo e paizão, e pra todos os que tem o prazer de conviver com o Santiago.
Bem vindos ! ;)