quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Encantadora de Bebês x Soluções para Noites sem Choro

          Quando estava grávida minha cunhada e amiga me emprestou um livro muito famoso chamado “A Encantadora de Bebês”, que promete solucionar, de modo racional, todos os problemas e esclarecer as dúvidas sobre recém-nascidos e bebês maiores, como sono, alimentação, comportamento, etc. Então, durante a gravidez, dediquei um tempo ao tal livro e pensei: muito fácil! É só colocar ele na cama acordado, não deixar que ele durma mamando, oferecer 15 vezes o mesmo alimento até ele aceitar, não tirá-lo do berço assim que ele começasse a chorar para que ele não associasse o choro ao colo e tantas outras lições que pareciam ser óbvias naquele momento.

Mas é assim mesmo. Todos somos ótimos pais até que nossos filhos nasçam e derrubem todas essas teorias perfeitas de como criar um filho que dorme sozinho, come de tudo e é independente. Peraí, gente! Eles têm menos de um ano. Eles tinham tudo sem precisar pedir quando estavam na barriga. Eles viviam quentinhos, protegidos, alimentados e, o mais importante, unidos às mães fisicamente e – por que não - emocionalmente.
Assim, quando o Santiago nasceu, anotávamos a hora que ele tinha mamado, quantos cocôs tinha feito e quanto tinha durado a soneca da tarde. É claro que isso durou não mais que dois dias. A exaustão dos primeiros dias sem dormir e o insucesso nas teorias vieram como um balde de água fria no meu projeto de como criar um filho exemplar. Santiago dormia mamando, mamava dormindo, acordava inúmeras vezes pra mamar durante a noite, fazia sonecas longas durante o dia, tinha colo sempre que queria, era embalado pra dormir e todos os mimos que tinha direito. Exatamente o contrário de tudo que o livro ensinava. Confesso que isso me deixou um pouco frustrada; Afinal, é cansativo embalar um nenê que engorda em progressão geométrica, amamentar a toda hora e dormir pouco por tanto tempo.  
Mas essa frustração não durou muito tempo. Já disse anteriormente que sou do tipo de mãe que acredita no instinto. E nosso instinto não é deixar o bebê chorando até dormir no berço, apenas olhando pra ele como conforto. Nosso instinto não é negar que o bebê durma junto com a mãe. Nem negar o peito porque não completou 3 horas de intervalo entre as mamadas. Muito menos deixar de acalmar, aconchegar e transmitir confiança para aquele bichinho tão novo no mundo quanto a nossa carreira materna.
A partir daí, larguei a “Encantadora de Bebês” e suas técnicas infalíveis para seguir a minha diretriz: aprender a ser mãe com meu filho, atendendo às necessidades dele, procurando sempre me tornar um porto seguro, onde ele encontre aconchego e conforto.
Certa vez, encontrei uma página na internet intitulada “Soluções para noites sem choro”, onde pude ver que não estava sozinha nessa, e que muitas outras mamães também seguiam seu instinto e optavam pela proximidade com os filhos, através da cama compartilhada (dormir junto com os bebês, com todas as medidas de segurança, é claro), da amamentação prolongada e tantos outros métodos que são totalmente contra aqueles propostos pela “Encantadora de Bebês”. Senti-me mais amparada e vi que estava fazendo a coisa certa. Até agora não me arrependo de deixar que o Santiago durma junto de vez em quando, de ter feito um desmame gradual e sem traumas, de ter deixado ele dormir mamando por um ano e 4 meses, já que agora ele até pede pra dormir no berço – naturalmente.
Enfim, acredito que a maternidade e tudo que a rodeia deve ocorrer assim: naturalmente. Porque o natural é o aconchego e o amparo, é o abraço e a paciência; o natural é o amor! O amor absoluto que doamos aos nossos filhos e que através dele somos capazes de ensiná-los como ser um filho exemplar – independente e seguro, sempre com a proteção materna por trás, até quando ele quiser e naturalmente vá criando asas pra voar por si próprio.

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