quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ainda sobre a terceirização

     São 23:30. Terminei de preparar a marmita para amanhã e limpar a cozinha. Não deu tempo de lavar a roupa hoje, e nem de arrumar o berço, pois hoje cedo tirei o meu pequenino da cama ainda dormindo e quando chegamos em casa só deu tempo e dar um banho e preparar um mamá pra cair no sono. Pensa que isso não dói? Pensa que gente se acostuma? Pensa que a gente passa o dia longe tranquilas? Nunca. Todo dia eu repenso. Está certo? Tem mesmo que ser assim?
     Semana passada era semana acadêmica na favet. Na terça-feira pela manhã, quando acordei com um sorriso radiante do meu lado que chamava "mamãe", as 9 da manhã, agradeci baixinho, lá no fundinho, por aquele momento. Como era bom acordar com ele ao meu lado sem estarmos atrasados, apressados, poder dar um bom dia e aproveitar aquele tempo juntos. 
     Bom, voltando ao dia de hoje, foi um poucos atípico, pois normalmente chegamos em casa mais cedo e fazemos as coisas com mais calma. Mas serviu para eu repensar e vir aqui escrever sobre o que prometi no outro post: a terceirização da criação dos nossos filhos para as escolinhas. O Santiago entrou com seis meses. Foi o melhor? Não sei, até hoje me pergunto. Verdade que ele é uma criança muito segura, madura, etc e tal, mas creio que isso seja mérito da personalidade dele. O assunto é muito delicado e extenso, portanto vamos atribuir uns prós e contras. A escola é ótima por oferecer alimentação  balanceada, oferecer atividades lúdicas (ninguém gosta de tinta no tapete), ajudar na interação social, na assimilação dos limites e respeito ao outro. O contra, para mim, é meio sentimental. Deixamos nossos preciosos diamentezinhos para serem lapidados por alguém que você conheceu ontem. Será que ela cuida bem? Será que vai fazer as vontades? Será que vai entender o choro, as palavras, o motivo da angústia? Eu sei que isso acontece com todas as mães, mas o problema é que a maioria acredita que isso é normal: "ele vai chorar um pouquinho, mas logo se adapta". Adapta nada! Diz aí, você se adaptaria a ouvir o choro do seu filho clamando pela mamãe toda vez que deixasse ele na escola? Eu não. Sou mãe, mas não tenho sangue de barata. 
     Lembrem-se que isso não é o natural (lá vem a mãe instintiva) e não sabemos se é o certo. Nem sei se saberemos. A verdade é que a mulher tem que trabalhar/estudar, tem que cuidar da casa, fazer as compras, dar atenção a família, se cuidar (e não adianta por a culpa na gravidez, hein?) e não consegue fazer tudo isso com o filho a tiracolo. É conveniente para nosso dia a dia, não sei se tanto para os nossos bichinhos. Tenho sorte por o Santiago estar muito bem na escola, fico feliz por sentir
ele feliz. A maternidade é um pacote de ingredientes, sendo as dúvidas uma parte importante desse todo, e talvez sejam as mais cruéis, pois nosso maior medo é errar com eles.
     Enfim, procure um ambiente onde seu filho se sinta bem. E lembre-se, apesar de não estar o dia todo ali, você -mãe- é a melhor pessoa para saber como ele está se adaptando, confie no seu instinto, afinal vocês já se conhecem desde o primeiríssimo instante da vida dele, e não existe cumplicidade maior que isso. Se achar que está errado, pare, converse, comece de novo. A melhor psicóloga que ele pode ter é você, e os melhores pedagogos são os nossos pais, todos reconhecemos isso. Agora boa noite, e até o próximo "mãe, quero mamá!!". 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Questão de posse

Minha paz, meu refúgio, meu encontro.
Meu pensamento, minha ansiedade, minha preocupação.
Minha dedicação, meu apego, meus medos.
Minha mudança no plano, minha mudança de planos, minha surpresa.
Minha angústia, minhas dúvidas, minhas respostas.
Minha inversão de valores, minha prioridade, meu esforço.
Meu companheiro, meu amigo, tão eu e ao mesmo tempo tão ele.


E agora ele adormeceu em meus braços.
Meu filho, parte de mim.
Minha vida.
Meu amor.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Uma breve (ou quase) reflexão

     Faz tempo que não apareço por aqui. Todos sabem como é a correria dos nossos dias. Felizmente, essa correria tem sido gratificante: a faculdade já está quase no fim, o Santiago já está com quase 3 anos e o nosso lar está caminhando perfeitamente. Meus dias tem sido rápidos, prazerosos, divididos entre tempo dedicado à faculdade, tempo dedicado à nossa casa, tempo dedicado à família e tempo dedicado à mim. Sim, pois depois de um bom tempo voltei a cuidar mais de mim, de volta a academia e fazendo uma dieta de reeducação alimentar. Está sendo ótimo para mim e toda família, mas isso são outros quinhentos.
     Hoje o que vim falar aqui foi dessa "correria" mesmo, que falei anteriormente. É uma realidade antagônica - o mundo nos cobra, a gente precisa. E se for diferente, sentimos falta. Por outro lado, será que paramos pra pensar em tudo que estamos deixando para trás? Não somente em relação aos filhos. Aprendi, de uns anos pra cá, que todo dia é dia para comemorarmos a vida. E comemoração não requer grandes festejos; basta estarmos junto de quem gostamos e fazendo o que nos agrada. Não deixe para amanhã, não espere o final de semana. As nossas obrigações devem ser aliadas ao prazer e isso não é ser relapso ou deixar de cumprir algum compromisso. Isso é viver, e não apenas sobreviver. E esse ano, tive vários exemplos à minha volta de que estou certa. O que quero dizer, é que ninguém precisa estar velho para ficar doente, muito menos precisa ter aproveitado o máximo de sua vida, trabalhado e se realizado em todos os âmbitos para que um acidente aconteça e decepe sua vida. Gente, é real. Não se sabe quanto tempo estaremos aqui - é inevitável pensar assim. A vida é fugaz, e isso é doído. Por essas e outras que digo: mude seus planos, planeje para agora. Para hoje. Para a hora da janta. Porque viver é hoje, não conte com amanhã. Planos são saudáveis, mas aprenda a diferenciá-los de sonhos e coloque-os em prática. Se não, a "correria" acaba te engolindo...
     Agora em relação aos fihos, aí sim, a "correria" é cruel e não perdoa. Um dia desses, vi num Super Nanny (sim, porque quando mãe tem um raro momento de escolher um programa, acaba vendo Super Nanny, Um Bebê por Minuto, e por aí vai), que estamos terceirizando a criação dos nossos filhos para os meios eletrônicos. Sem falar nas escolinhas, o que merece um post exclusivo depois! Não sou contra os pequenos brincarem em tablets, ver televisão, etc. Nós não brincávamos disso simplesmente porque não exisitia, e diante da realidade de que a maioria de nós vivemos em apartamentos, não existe a possibilidade de brincar de pega-pega nem jogar futebol sem resultar num estrago. Mas, temo que ela esteja certa. Temo não, ela está. Falo por mim mesma, porque ótimos pais são aqueles que não tem filhos, e atire a primeira pedra quem nunca ligou os Backyardigans pra poder fazer alguma outra coisa. Agora que acumulei mais uma função - a de dona de casa - a Discovery kids nos ajuda bastante! Mas é difícil isso, hein... Ao mesmo tempo que precisamos cozinhar, estudar, organizar a mochila, lavar a roupa e blábláblá, aquele também é o tempo que temos para conversar, brincar, dividir o nosso dia. E, peraí, também temos que dormir. Amigos, essa matemática é complicada. É a "correria", a famosa desculpa para não encontrarmos os amigos, não visitarmos os parentes, não fazer programas diferentes e, (suspiro) não dar toda atenção necessária aos nossos filhos. Não é fácil assumir isso, mas não sejam hipócritas, mamães leitoras, e não mintam que o filho de vocês não sabe quem é o Doki. Ou o Tree Fu Tom, se preferirem. Porque é unanimidade, é a realidade do nosso dia a dia.
     Bem, diante disso, assumi que a divisão em casa estava um pouco errada. Não pensem que entreguei meu filho para os meios de entretenimento, claro que não. Quem conhece nossa rotina sabe disso. Apenas fiz uma análise e achei que nosso tempo poderia ser de mais qualidade, diante do tempo que eu e o pai ficamos longe dele. Portanto, agora só ligamos a TV depois do banho tomado, quando vou preparar a janta e preciso me ausentar da brincadeira. Assim, sacrifiquei um pouco do meu sono, já que as outras tarefas serão feitas depois que ele dormir. Mas digo pra vocês que está valendo a pena, e nosso dia em família está muito mais produtivo, principalmente para compensar aquela velha amiga das mamães que trabalham/estudam - a culpa.
     Enfim... divida seu tempo. Esquematize a sua vida. Não deixe de reservar uma parcela dele para você, seu corpo e sua mente (e não se culpe por isso). Reserve um tempo só para o casal. Um tempo para os amigos. Um tempo, na frequencia que lhe for necessário, para fazer o que te faz bem e o que tu gostas. Infelizmente (ou felizmente), nós não viemos ao mundo com prazo de validade estampado em nosso corpo. E não tente entender o porquê de tudo isso, temos que aceitar e fazer a nossa parte. Aproveite seu tempo. Sistematize-o. E, acredite em mim, é possível!