São 23:30. Terminei de preparar a marmita para amanhã e limpar a cozinha. Não deu tempo de lavar a roupa hoje, e nem de arrumar o berço, pois hoje cedo tirei o meu pequenino da cama ainda dormindo e quando chegamos em casa só deu tempo e dar um banho e preparar um mamá pra cair no sono. Pensa que isso não dói? Pensa que gente se acostuma? Pensa que a gente passa o dia longe tranquilas? Nunca. Todo dia eu repenso. Está certo? Tem mesmo que ser assim?
Semana passada era semana acadêmica na favet. Na terça-feira pela manhã, quando acordei com um sorriso radiante do meu lado que chamava "mamãe", as 9 da manhã, agradeci baixinho, lá no fundinho, por aquele momento. Como era bom acordar com ele ao meu lado sem estarmos atrasados, apressados, poder dar um bom dia e aproveitar aquele tempo juntos.
Bom, voltando ao dia de hoje, foi um poucos atípico, pois normalmente chegamos em casa mais cedo e fazemos as coisas com mais calma. Mas serviu para eu repensar e vir aqui escrever sobre o que prometi no outro post: a terceirização da criação dos nossos filhos para as escolinhas. O Santiago entrou com seis meses. Foi o melhor? Não sei, até hoje me pergunto. Verdade que ele é uma criança muito segura, madura, etc e tal, mas creio que isso seja mérito da personalidade dele. O assunto é muito delicado e extenso, portanto vamos atribuir uns prós e contras. A escola é ótima por oferecer alimentação balanceada, oferecer atividades lúdicas (ninguém gosta de tinta no tapete), ajudar na interação social, na assimilação dos limites e respeito ao outro. O contra, para mim, é meio sentimental. Deixamos nossos preciosos diamentezinhos para serem lapidados por alguém que você conheceu ontem. Será que ela cuida bem? Será que vai fazer as vontades? Será que vai entender o choro, as palavras, o motivo da angústia? Eu sei que isso acontece com todas as mães, mas o problema é que a maioria acredita que isso é normal: "ele vai chorar um pouquinho, mas logo se adapta". Adapta nada! Diz aí, você se adaptaria a ouvir o choro do seu filho clamando pela mamãe toda vez que deixasse ele na escola? Eu não. Sou mãe, mas não tenho sangue de barata.
Lembrem-se que isso não é o natural (lá vem a mãe instintiva) e não sabemos se é o certo. Nem sei se saberemos. A verdade é que a mulher tem que trabalhar/estudar, tem que cuidar da casa, fazer as compras, dar atenção a família, se cuidar (e não adianta por a culpa na gravidez, hein?) e não consegue fazer tudo isso com o filho a tiracolo. É conveniente para nosso dia a dia, não sei se tanto para os nossos bichinhos. Tenho sorte por o Santiago estar muito bem na escola, fico feliz por sentir
ele feliz. A maternidade é um pacote de ingredientes, sendo as dúvidas uma parte importante desse todo, e talvez sejam as mais cruéis, pois nosso maior medo é errar com eles.
Enfim, procure um ambiente onde seu filho se sinta bem. E lembre-se, apesar de não estar o dia todo ali, você -mãe- é a melhor pessoa para saber como ele está se adaptando, confie no seu instinto, afinal vocês já se conhecem desde o primeiríssimo instante da vida dele, e não existe cumplicidade maior que isso. Se achar que está errado, pare, converse, comece de novo. A melhor psicóloga que ele pode ter é você, e os melhores pedagogos são os nossos pais, todos reconhecemos isso. Agora boa noite, e até o próximo "mãe, quero mamá!!".
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