Já faz um ano e ainda dói. Deixei o Santiago na escolinha há 20 minutos e o tempo parece que não passa com esse silêncio em casa.
Ontem vimos um filme - "Não sei como ela consegue" - sobre uma mãe que trabalha, tem dois filhos e tem que fazer malabarismo entre as duas atividades tão prazerosas pra ela. E, em determinada parte, ela diz que aos 2 anos a ansiedade de separação cede nas crianças, mas nas mães isso não tem fim. Sabe, acho que é verdade. Mesmo sabendo que ele está feliz, sai do meu colo pra ver as brincadeiras dos colegas e matar a saudade das prof's, a minha vontade é puxar uma cadeira e sentar ali na porta, só pra ficar espiando como meu Tatá se vira sem mim. Pois é claro que ele se vira, bobas somos nós mães que achamos que eles não desgrudam da gente.
Lembro dos primeiros dias na escolinha, com apenas 6 meses, e o quanto foi doída essa separação, mesmo que por poucas horas. Quando a gente descobre que está grávida, sabe que não mais está sozinha e que tem alguém compartilhando seu corpo, seu sangue e sua alma, até o nascimento, quando alguns desses laços se rompem. Alguns, eu disse. Outros nunca mais. É difícil, não só pela separação em si, mas pelo fato de que há 6 meses atrás tinha ocorrido uma união tão forte que parece ilógico ter que desfazê-la em parte. Não sei explicar. O que quero dizer é que quando os filhos nascem, nossa vida é dedicação quase que total à eles; Primeiro a gente se acostuma a tê-los 24 horas por dia junto, atendendo a todas as necessidades deles e abdicando de todo o resto. E, logo ali, 6 meses depois que desacostumamos da nossa vida rotineira, temos que seguir em frente e retomar o dia-a-dia. A sensação é tão estranha que lembro de sair da escolinha e pensar, o que vou fazer agora? Já não sabia mais. É assim mesmo que a gente se sente, desnorteada.
E agora, 1 ano depois disso, revivo essa situação. Parece mentira, mas estou aqui escrevendo enquanto espero pra ligar pra lá e saber se ele está bem. Pobre telefone e pobre das secretárias: "Oi, fulana, aqui é a Ana, mãe do Santiago, tudo bem?". Elas devem ter pavor de ouvir minha voz. Eu não me importo.
Pois então, vou esperar ansiosamente até as 13:30 tentando achar o que fazer dentro da ausência do Santiago à nossa volta. É uma tarefa difícil, mas o reencontro é recompensador. Quer saber, enquanto não retomo a minha dupla jornada, acho que vou aproveitar e exercitar meu coração para não sentir tanto essa ansiedade de separação.
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