segunda-feira, 16 de julho de 2012

Amamenta, mamãe !

    Antes do Santiago nascer, a amamentação foi um tema que não gerou preocupação - se pudesse e conseguisse amamentar, com certeza eu o faria, sabendo de todos os benefícios que traz. E, sim, eu podia, como a maioria das mães de todo o mundo. Podemos, e mais, devemos. Hoje sou fã e levanto a bandeira da amamentação não só como o melhor alimento para o bebê, mas pela praticidade, pela naturalidade e pelo melhor vínculo de confiança e aconchego criado entre mãe e filho.
    Com o Santiago foi relativamente fácil, pois existem mães que ficam com receio da dor, mães que querem tanto amamentar que ficam tensas e não vai adiante, e também crianças que não conseguem sugar, além daquelas que nem tem a oportunidade de aprender, visto que já conhecem a mamadeira. Apesar do leite demorar um pouco a aparecer de verdade - umas 48-36 horas de colostro apenas - o contato com a mãe e a sucção estimulam hormonalmente e, sim, emocionalmente a produção de leite. Nessas horas tensas, o certo é oferecer fórmulas em copinhos para não prejudicar o aleitamento.
    Depois disso, vem a enxurrada! Leite pra dar e vender. Existem bancos de leite, inclusive, para mães que tem leite de sobra.
    É um pouco desconfortável esse excesso, mas nos deixa tranquila de que o bebê está bem alimentado.
Aos poucos, a produção se ajusta e não nos sentimos mais uma vaca holandesa. Porém, não é raro de acontecer as temidas "rachaduras" que doem demais! E dar de mamar nessas horas é horrível, ao mesmo tempo que precisamos esgotar o leite para não "empedrar". Todas essas coisas acontecem. E como tudo, passa. Posso dizer que não teve muito impacto negativo pra mim, e acredito que para outra mães também.
    E assim se vão os 3 primeiros meses mais difíceis, e lá pelos 6 meses muitas mamães encerram essa fase. 
    Pra mim foi diferente. Sou do tipo de mãe instintiva. Acredito que quanto mais nos aproximarmos do instinto animal, sem tantas invenções, mais certo dá. 
    E, assim, dei o peito sempre que o Santiago quis ou precisou, até 1 ano e 4 meses. Sem respeitar as 3 horas de intervalo, em viagens, em festas, pra dormir, pra acordar, pra acalmar, pra aconchegar. Essa é a função do aleitamento. Acredito que, ao contrário do que muitos livros dizem, a amamentação prolongada não torna a criança muito dependente da mãe; E, sim, muito mais independente, com a certeza de que sempre que precisar, o aconchego materno estará disponível para ajudar a enfrentar quaisquer que sejam as adversidades na vida de uma pequena pessoinha. Com o Santiago foi assim.
    Porém, infelizmente, o nosso dia a dia não nos permite ser mães lobas por tempo indeterminado. A hora da separação chega e dói. Como dói. Muito mais do que as rachaduras. Dói no coração da gente ser obrigada pelos mais diversos motivos a desmamar o bebê. Pra mim foi obrigação, sim, pois amamentar sempre foi um prazer e um momento só meu e dele, um encontro marcado só para nós dois, onde apesar de ter passado tanto tempo longe durante o dia, sabíamos que estaríamos juntos até ele pegar no sono, no meu colo, meu peito, meus braços. 
    Isso dificultou ainda mais o desmame, pois o Santiago não aceitava mamadeira e não sabia dormir sem estar mamando. Um desafio e tanto! Assim, foram dias muito conturbados, muito choro, muito pesar da minha parte de não poder estar pertinho dele daquele jeito que ficávamos a 1 ano e 4 meses: toda vida do Santiago. Até que então resolvi assumir as rédeas da empreitada e fazer do meu jeito, contrário a todos os conselhos que recebi. Pelo meu instinto de mãe. E aos poucos, sem me afastar, conseguimos substituir o mamá-nosso-de-cada-dia por músicas, histórias, pela mãozinha dada, etc. Um dia com muito choro, no outro um pouco menos, um dia durando uma hora, no outro 45 minutos, até que agora o adormecer é tranquilo. Não foi fácil, mas hoje fico orgulhosa (sim!) de dizer que EU desmamei o Santiago e agora ele sabe dormir sozinho com seu travesseirinho e até aceita mamadeira de vez em quando! O instinto falou mais alto e deu certo. 
    Por vezes sinto falta da tranquilidade e facilidade que era o momento do mamá, e também sinto uma pontinha de receio de ver meu pequeno cada dia mais independente de mim; mas sei que esse crescimento é unidirecional, com rumo para o mundo afora. E, nós mães, temos que ir desaprendendo a ser tão leoas com as nossas crias.

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