sábado, 7 de julho de 2012

Dupla jornada


    Quando o Santiago nasceu, dia 26 de janeiro de 2011, eu  – felizmente – estava de férias após um semestre bem sucedido com uma barriga de 9 meses.  Em março do mesmo ano, as aulas recomeçaram e eu estava batendo ponto na Faculdade de Veterinária. Não, eu não abandonei um bebê de 2 meses. Eu só não deixei que o vínculo com aquilo que sempre foi o meu sonho se esvaísse. Então, duas vezes por semana eu tinha breves aulas, que me permitiam amamentar o Santiago antes de ir e assim que chegasse,  deixando a responsa com o papai. E deu certo. Fui aprovada nas duas cadeiras que fiz, e meu filho cresceu bem gordinho e bem amparado até o fim do semestre. Aí já tinha iniciado minha dupla jornada.
    No outro semestre, a carga horária aumentou um pouco, e o Santiago, já com 6 meses, conheceu a escolinha (tema que receberá atenção especial mais adiante). Deu tudo certo de novo. Com um pouco mais de esforço, stress e outras complicações. Fui aprovada nas 3 cadeiras que cursei, sendo uma considerada um dos traumas da FAVET – a Bioquímica e Hematologia Clínicas.
    Agora, estou atualizando freneticamente meu e-mail à espera das notas finais do meu 3º semestre de dupla jornada. Esse foi mais difícil ainda. Um dia na semana com aula das 7:30 as 18:10. Desumano para uma mãe passar todo esse tempo longe e na angústia de saber se está tudo bem. Se ele comeu. Se ele dormiu. Se ele chorou pelo brinquedo. Se ele brigou com o colega. Se ele passou frio ou calor. Se a febre cedeu e a tosse passou. E assim por diante. Mas enfim, apesar de vários “tu não vai conseguir”, “é muita coisa”, “e o que tu vai fazer com o Santiago?”, nós – até agora, e só falta uma – conseguimos. E não perdemos pedaço nenhum, nem amor, nem carinho, nem nada.
    Tive que reaprender a estudar naqueles horários vagos entre as 22:00 e as 7:00 e nas sonecas da tarde quando eu estava em casa, e aproveitar o máximo das aulas.  E também a lidar com as febres em vésperas de prova, a não poder levar na escolinha pelas viroses de inverno, a sair correndo a 80km/h pra chegar um segundinho antes e rever o meu filhote. É uma gincana. Malabarismo total. E ainda assim, não consigo traduzir tudo que passou na nossa vida a três nesse semestre.
    Entretanto, fico muito feliz de dizer que não parei de buscar meu sonho, e mais ainda por ter pessoas que me ajudaram com isso, principalmente o Gonçalo. E nisso tudo, aprendi que a vontade e perseverança nossas, valem muito mais do que os conselhos negativos e olhares duvidosos que a gente recebe gratuitamente.  Ser mãe não é abdicar da liberdade e dos nossos desejos. Ser mãe é ganhar um companheiro nessa jornada.

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