Quando o Santiago nasceu, dia 26 de janeiro de 2011, eu – felizmente – estava de férias após um
semestre bem sucedido com uma barriga de 9 meses. Em março do mesmo ano, as aulas recomeçaram
e eu estava batendo ponto na Faculdade de Veterinária. Não, eu não abandonei um
bebê de 2 meses. Eu só não deixei que o vínculo com aquilo que sempre foi o meu
sonho se esvaísse. Então, duas vezes por semana eu tinha breves aulas, que me
permitiam amamentar o Santiago antes de ir e assim que chegasse, deixando a responsa com o papai. E deu certo.
Fui aprovada nas duas cadeiras que fiz, e meu filho cresceu bem gordinho e bem
amparado até o fim do semestre. Aí já tinha iniciado minha dupla jornada.
No outro semestre, a carga horária aumentou um pouco, e o
Santiago, já com 6 meses, conheceu a escolinha (tema que receberá atenção especial
mais adiante). Deu tudo certo de novo. Com um pouco mais de esforço, stress e
outras complicações. Fui aprovada nas 3 cadeiras que cursei, sendo uma
considerada um dos traumas da FAVET – a Bioquímica e Hematologia Clínicas.
Agora, estou atualizando freneticamente meu e-mail à espera
das notas finais do meu 3º semestre de dupla jornada. Esse foi mais difícil
ainda. Um dia na semana com aula das 7:30 as 18:10. Desumano para uma mãe passar
todo esse tempo longe e na angústia de saber se está tudo bem. Se ele comeu. Se
ele dormiu. Se ele chorou pelo brinquedo. Se ele brigou com o colega. Se ele
passou frio ou calor. Se a febre cedeu e a tosse passou. E assim por diante. Mas
enfim, apesar de vários “tu não vai conseguir”, “é muita coisa”, “e o que tu
vai fazer com o Santiago?”, nós – até agora, e só falta uma – conseguimos. E
não perdemos pedaço nenhum, nem amor, nem carinho, nem nada.
Tive que reaprender a estudar naqueles horários vagos entre
as 22:00 e as 7:00 e nas sonecas da tarde quando eu estava em casa, e
aproveitar o máximo das aulas. E também
a lidar com as febres em vésperas de prova, a não poder levar na escolinha
pelas viroses de inverno, a sair correndo a 80km/h pra chegar um segundinho
antes e rever o meu filhote. É uma gincana. Malabarismo total. E ainda assim,
não consigo traduzir tudo que passou na nossa vida a três nesse semestre.
Entretanto, fico muito feliz de dizer que não parei de
buscar meu sonho, e mais ainda por ter pessoas que me ajudaram com isso,
principalmente o Gonçalo. E nisso tudo, aprendi que a vontade e perseverança
nossas, valem muito mais do que os conselhos negativos e olhares duvidosos que a
gente recebe gratuitamente. Ser mãe não
é abdicar da liberdade e dos nossos desejos. Ser mãe é ganhar um companheiro
nessa jornada.
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