"(...)
Qual o mundo que você precisa exterminar da sua vida? (...)
O mundo obcecado do amor doentio, aquele amor que só persiste pelo medo da solidão, e que de frustração em frustração vai minando sua possibilidade de ser feliz de outro modo.
O mundo das coisas sem importância. Quanta dedicação ao sobrenome do fulano, à conta bancária do sicrano, à vida amorosa da beltrana, o quanto ela pagou, o quanto ele deveu, quem reatou. Por cinco minutos, vá lá. Os neurônios precisam descansar. Mas esse trelelé o dia inteiro, socorro. (...)"
Retirado do texto "O Fim e o Começo" de Martha Medeiros, na ZH deste domingo.
Achei esse texto conveniente para começar a -tentar- falar sobre o ano que passou e o que está por vir, pois foram assuntos que dediquei um pouco mais de reflexões.
Mas esse ano foi duro. Por desafios que aceitei encarar e por outros que não eram nem cogitados e que a roda da vida nos impôs. E esses calam fundo em nossos corações. Perdi dois dos meus avós. A morte nos tira as palavras e é só isso que tenho a dizer.
A vida de gente grande não é fácil mesmo. Mas essa não é hora de lamentações, é preciso pensar nos esforços recompensados, nos amigos cativados e no amor reafirmado para seguirmos em frente e renovar as nossas esperanças. É preciso lembrar que os únicos responsáveis pelo nosso futuro somos nós mesmos, e que tudo de que precisamos é de fé, de companhia e de força de vontade.
Voltando ao texto, durante esse ano percebi o quanto as pessoas estão equivocadas quanto ao amor e os valores - em relação à minha percepção, é claro. Tem um texto que rola nesses compartilhamentos e que achei bem verdadeiro, onde diz que é fácil amar na mesa do bar, na noite, etc, difícil é quando a outra pessoa muda ou está em uma situação adversa precisando desse amor. Tive a chance de ser mãe cedo e de assumir um compromisso mais cedo que o normal. E isso me levou a crer que muitos amores são jogados fora pelo fato de que num certo dia a pessoa estava um tanto diferente. Somos humanos, somos imperfeitos. O amor do dia a dia, não é regado a fogos de artifício numa noite estrelada, lamento. Pra mim, o amor é muito mais que isso. É te sentir acompanhada e realizada não no melhor restaurante, frente aos outros, maquiada e de salto alto, e sim, preparando um jantar qualquer, cabelo molhado, pé descalço, na intimidade e cumplicidade de duas pessoas diferentes e que podem se sentir à vontade mesmo assim. Mesmo que o dia (e talvez o semestre) tenha sido cansativo, sabes que o conforto de quem te ama estará disponível no fim da tarde. O amor não é constante e pra ser duradouro é preciso dedicação e flexibilidade.
Outra coisa tão distorcida é a falta de simplicidade em todos os âmbitos. Falta simplicidade pra pensar, pra resolver problemas, pra levar a vida, pra se vestir, pra falar, pra educar nossos filhos, pra encarar o mundo. E isso está debaixo do nosso nariz...
Então, que 2013 (apesar desse número ímpar feio no fim) seja leve, simples. Que transborde o amor verdadeiro, simples. Que transborde a paz em nossos lares e mentes, simples assim. Que não nos falte saúde nem fé para colocarmos em prática tudo o que sonhamos e planejamos. Que possamos executar nossos projetos visando a simples plenitude de mais um ano em nossas vidas. E que aqueles que partiram estejam na simplicidade do descanso, zelando por nós.
"Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo."
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