terça-feira, 23 de outubro de 2012

     Há pouco tempo atrás me referi aqui a minha avó no seu dia. Hoje escrevo por outro motivo, infelizmente. Com gosto de derrota. Mais uma vez a morte vence a vida e nos leva alguém. O sol, aqui na fronteira, se despede pra dar lugar a mais uma estrela no ceu.  Fraquinha, acredito que foi melhor assim. Agora ela voltará a encontrar aquele que sempre chamou de "meu bem", e de lá de cima continuarão olhando por nós.
     Fico triste em saber que apesar de conhecer, ela nunca reconheceu o Santiago, devido a sua doença, mas era possível ver o quanto ela se alegrava com ele...
     Felizmente pude me despedir de perto e agradecer a ela, juntamente com uma oração para que ela encontre o lugar onde possa voltar a ser a Vivi, como eu chamava quando criança, sempre tão bondosa, educada e querida por todos. Sei que lá em cima tem um casal que irá me acompanhar sempre, e brindar conosco todas s fases do seu primeiro bisneto. 
     Deixo aqui um poema que sempre me basta nessas horas. Descansa, vó.

     Poema de Natal - Vinícius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.



2 comentários:

  1. Amiga! Muita força pra ti! Poema mais lindo e que faça eu me lembrar de ti não há! Conta comigo!!

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