- Mãe, tem sol.
- Sim, tá entrando o solzinho.
- Já é dia mãe? Vamos levantar!
- Dá um upa na mãe de bom dia?
- Eu te amo, mãe.
Esse foi o diálogo que interrompeu os devaneios que passavam pela minha cabeça hoje pela manhã. No dia de hoje, 13 de dezembro, falta exatamente um ano para a minha formatura. Começou a passar um filme, desde os incansáveis estudos, ainda no conforto de casa, para passar na UFRGS, até quem eu me tornei hoje.
A gente sabe que morar fora de casa, ir pra "cidade grande", entrar na faculdade, conhecer novas pessoas e ter novas obrigações mudam muito a vida e o que somos. Mas comigo, a mudança foi mais intensa. Foi intrínseca, foi inesperada. Mexeu lá nos moldes de quem eu era. Nesses 5 anos de curso, tive altos e baixos. Com sorte (e força de vontade) os baixos foram curtos e superados.
No início do quarto semestre descobri que não estava mais sozinha e que abrigava em meu ventre outra pessoinha. Nesse momento, cheguei a pensar em desistir, temia que não pudesse ser mais a mesma Ana. De fato, dali em diante não seria mais a Ana, e sim, a mãe do Santiago. Entretanto, depois de um tempo percebi que poderia ser a Ana, mãe do Santiago. Confuso? Quem tem filhos sabe o quanto abdicamos de nós por eles. Pensei que seria impossível continuar minha faculdade, o sonho que tinha de ser médica veterinária, pois deveria cuidar dele. Aos poucos, mas sem parar, fui indo. Com muita ajuda do papai, terminei um semestre. Com 6 meses, a escolinha nos ajudou e eu segui. Uns semestres com muita carga, outros um pouco menos, lidando com todas as esferas do mundo infantil e acadêmico, fiz a maior parte da minha faculdade junto com ele. Quando descobri que, em vez de desistir do que eu almejava (e não foram poucas as vezes que pensei), na verdade eu tinha ganhado um companheiro, meu mundo floresceu novamente e percebi o quanto aquela reviravolta tinha agregado para mim.
Sou a Ana, sou a mãe do Santiago, sou a noiva do Gonçalo, sou a dona de casa, sou estudante de Veterinária, sou filha, sou irmã, por vezes pediatra, por vezes nutricionista, recreacionista, outras psicológa e também, escrevo as vezes. Sou mil e uma, e não deixei, em nenhum momento, de ser quem eu era. A mesma, mas dessa vez, madura. Esse é o fascínio da maternidade, descobrir a si mesma diante de outra vida.
Agora, faltando um ano para findar essa jornada, vejo que a mudança que sofri nesses 5 anos me ensinou o quão importante é aprender a confiar em nós mesmos, acreditar na força que temos e que somos capazes de fazer. Palavras desacreditadas e olhares desconfiados não faltaram, assim como sobrou vontade e confiança da minha parte, e companheirismo dos meus dois ajudantes, Santiago e papai. Fico muito orgulhosa de dizer que conseguimos, pois não faria nada sozinha. E mais, dizer que tivemos a preciosa companhia da felicidade em todos os dias dessa empreitada, e que só assim chegamos onde estamos hoje, a 365 dias de uma vitória construída em família, acordando com um abraço e aquelas três palavrinhas escritas lá em cima que fizeram todo o esforço valer a pena.
Saudade de te ler....como sempre brilhante e verdadeira!!!o sábio de tuas palavras é teres a consciência que segues a Ana mais madura e fortalecida por estes ``carinhas´´amados Gonçalo e Santiago,construindo felicidade...
ResponderExcluirDelícia de texto, Ana.
ResponderExcluirRealmente todas as nossas abdicações, cansaço, preocupações... desaparecem apenas com um olhar.