domingo, 8 de julho de 2012

A gravidez e seus atributos

    Dia 27 de julho de 2010 foi um divisor de águas nas nossas vidas. Fiquei sabendo que eu, Ana,  então com 18 anos, seria MÃE. Em letra maiúscula, sim, mãe com tudo que tem direito. Passado o susto inicial, e o medo-pavor-terror de que tudo desse errado, as coisas se acertaram e eu aceitei e matei no peito a condição em que eu me encontrava: prestes a ter um bebê. Parece tão forte falando assim né? Imaginem vendo. Imaginem pra mim, então, que recebia olhares contrariados de todas as faixas etárias e classes sociais e tipos de gente. Por mais forte que a gente seja nessas horas, tem horas que machuca, sim. A gente se sente menos, se sente um ET. Mas tudo isso passa. Hoje ando orgulhosa, exibindo meu filhote na rua, e já não me importo mais com olhares tortos e caras apavoradas. Eu sei que dou conta do recado e respondo com o maior prazer: não é meu irmão, é meu filho, sim !
    Antes desse dia fatídico, passei um mês com enjoos. Isso existe e não é invenção de grávida. E como é desonfortável ... Era sagrado, todo dia de manhã. Nisso, emagreci uns 2kg. Beleza, para o saldo que viria depois: foram uns 14kg a mais no total.  Mas ser mãe antes dos 20 tem o seu valor ! Um mês depois já estava com meu peso normal. E uns 8 meses depois pesava 6 kg a menos que o normal – a amamentação e o final do semestre fazem milagres !
    E assim decorrem os meses até o grande dia. Um dia a gente se sente linda, outro dia um desastre, mas na maioria das vezes, aceitável. Fora aquela vontade imensa de entrar na calça jeans, vestir uma camisa normal, mas tudo passa.
    O grande dia, pra mim, foi uma paz. A maior dor que senti foi o cateter na veia da mão direita. E quando vi, já tinha no meu colo o meu bichinho. Incrível. Ele era exatamente como eu tinha imaginado. E encontrou aconchego bem debaixo do meu braço, junto ao meu peito. Aí me senti completa. Senti o amor que as mães relatam. Amor, esse, que confirmo a cada dia.
   Mas nem tudo são flores, com uma música de ninar e cheirinho-de-bebê. Eles choram – e como choram. O leite demora a “descer”. A cesárea te impede de levantar. E as visitas, credo, não param. Pior, quando todo mundo vai embora dormir, a gente não prega o olho. Nem quando eles dormem, pois ficamos preocupadas se está tudo bem, respirando, etc e tal. A síndrome da morte súbita é o terror das mamães.
    Depois a gente vai pra casa, e a primeira semana é crítica. E no final dela, parece que já se passou um ano e que a gente já sabe tudo sobre a maternidade. Que nada, mera ilusão. Cada dia é uma invenção.
    Mas tudo passa. Não tem prazo pra eles dormirem a noite toda, pra desmamar, pra comer o grão do feijão, pra ganhar o mundo com as pernas. Mas tudo acontece no devido tempo, apesar de muitas vezes ser difícil a gente entender isso. É tudo parte de um grande aprendizado e de conhecimento mútuo que, apesar das dificuldades, é tão prazeroso que faz a gente amar e se emocionar com esses pedaços de gente a cada instante. A maternidade é mesmo uma aventura e, até agora, posso dizer que sobrevivi !

2 comentários:

  1. É isso aih minha afilhada querida!!! Ser mãe é assim mesmo : ensinando e aprendendo também a cada dia...mas já vi que vc já ta tirando isso de letra - mãe menina, mãe guerreira, mãe loba, mãe linda de sua Dinda!!!!

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  2. Ana, que coisa mais linda! Chorei lendo!!

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