Filho. Senti um medo que não sei explicar. Enquanto as lágrimas caiam incessantemente eu olhava teu rosto e sentia um medo imenso de não poder admira-lo mais. Medo de não poder preencher meus braços com teu pequeno e ainda frágil corpinho, te envolvendo em um abraço. Senti tanto medo que fotografei os sorrisos que tu sabiamente destes nesse momento, com medo de não poder mais me emocionar com eles. Um medo avassalador, meu filho, de te perder. Dói só de pensar nisso.
Rezei para que o papai do céu olhasse para ti e simplesmente permitisse que eu pudesse continuar te cuidando e te protegendo aqui. Pedi para nossa senhora te cobrir e te dar saúde. Mas no fundo eu estava em ruínas pelo medo.
Quatro dias, muitas agulhadas, uma punção lombar, medicamentos e muitas lágrimas depois estamos de volta pra casa. Meu pequeno filho parece um gigante de dois meses e meio: forte, intacto. Fico feliz que não lembrarás disso, e me contento em saber que as marcas ficarãoh apenas em mim. Em nós, pois todos a tua volta sofremos. Por cada dor que sentistes, por cada dificuldade que passastes. Mas tu fostes forte meu filho, e o papai do céu ouviu todas as minhas preces, intervindo para que daquelas três opções, fosse a mais simples... Para que desde a primeira dose de antibiótico tu já não tivesse mais febre... Para que em nenhum momento deixasse de nos trazer o teu sorriso que me fez te apelidar de "meu raio de sol", nos enchendo de luz... Para que na primeira oportunidade tu tivesse alta...
Senti, meu filho, o peso da divisão de uma mãe de dois ao deixar teu irmão em casa com os avós nesses quatro dias de internação, resumindo nosso contato em apenas 10 minutos por dia. Quanta apreensão, saudade, tristeza por estar longe.
Sabe, meu filho, a felicidade é tão simples que assusta. E no fundo me sinto orgulhosa de saber que eu já era ciente disso há um tempo, e Deus é prova de que agradeço todas as noites por estarmos juntos, em casa, em paz e com saúde. É só disso que precisamos. O resto é o resto.
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