Estava cansada, cabeça cheia de estar vazia.
Precisava me alegrar, dar um up, afinal eu sou o norte. E se a gente está pra baixo pode crer que tudo piora.
Pensei em ir até o mercado com os dois, mas decidi que não estava disposta a tal aventura.
Fiz um mate. Tava bom, mas pedia uma companhia pra dividir. Um atrás do outro foi fazendo a solidão aumentar.
Fiz um bolo. Assim já matava um tempo, perfumava a casa e alegrava o estômago (ou talvez a alma). Hmmmm ficou bom! Mais um pedaço. Não foi suficiente pra aplacar os sentimentos e eu acabei de lembrar que minha barriga pós parto não permite tantos pedaços assim.
Sentei na varanda. Corria um vento muito agradável, sabe como é, as vezes a brisa acalma o coração e põe as ideias no lugar. Mas só o que o danado me trouxe foi nostalgia... ainda mais quando olho pra mim e vejo a blusa larga, o sutiã bege de amamentar aparecendo, o cabelo mal preso, as olheiras fundas e a pele um caco. Até onde me deixei levar.
Liguei uma música. Até que ajudou um pouco. De repente a playlist, como querendo me sabotar, fica numa repetição insuportável de sertanejos femininos. Silêncio! Melhor assim.
Acalma um choro aqui, faz uma vontade ali, ai levei uma bolada na cabeça!, nossa como minhas costas estão doídas, e quanto tempo falta pro dia acabar?
Já sei. Escrever. Precisava escrever pra tudo isso não transbordar. Coloquei pra fora e ufa... posso respirar um pouco mais aliviada. Afinal eles já estão sorrindo e, pelo menos por alguns segundos, sinto que a missão foi cumprida.
E ainda dizem que difícil é ter metas mensais pra bater... na maternidade as metas são diárias, pra não dizer por turno - porque afinal a noite nos espera, né?
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